Doce Lembrança
- Alessander Guerra

- 7 de set. de 2007
- 1 min de leitura
Mais uma vez era véspera de seu aniversário. Ela nasceu numa data tão importante que até a Pátria parava em comemorações. E nós, novamente reunidos em torno daquela panela tão gasta pelas inúmeras raspadas dos anos, tínhamos os olhos vidrados naquele creme espesso de cor marrom caramelo. As forminhas já abertas lutavam por seu espaço nas bandejas. Sim, bandejas, porque era uma festança!
E lá ia a minúscula colher de café rumo ao centro do tão utilizado recipiente. Sobe o primeiro naco, pequeno e ainda disforme. Mas logo vem o dedo, a palma da mão e a forma já é redonda, uma bolinha pronta para deslizar na grama de chocolatinhos. Eu cuidava de rolar a pelota no saboroso campo e finalizava a peleja nos recipientes de papel, já bem dispostos no estádio arredondado de metal. Algumas bolotas escapavam das forminhas e entravam por outro canal que mais me apetecia. Lá vinha bronca, e depois sorriso diante de minhas desculpas esfarrapadas.
Ela se foi em outra data comemorativa, mas como era importante a tia Cida, merecia mesmo os dois feriados. Embora não tivesse filhos, foi a única mãe que conheci. Há mais de doze anos, eu não provo esse brigadeiro, mas o sabor dessa lembrança: jamais vou esquecer!






Comentários