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- O que é Neuroconfeitaria
Abre a boca e fecha os olhos! Sabe o que é Neuroconfeitaria ? chef Giuliana Cupini Desenvolvida pela chef confeiteira, professora e pesquisadora Giuliana Cupini é uma metodologia criada com base nos princípios da Neurociência e da Neurogastronomia aplicados à Confeitaria, de acordo com a maneira como o cérebro identifica, interpreta e gera as percepções de sabores, acessando e ativando memórias e emoções existentes ou criando novas. Pois, tive o prazer de experienciar, a primeira coleção da chef, intitulada: "Uma Festa para os Sentidos". Segui todos os passos desse jogo instigante com 7 experiências sensoriais, que provocaram muito além do paladar. Utilizei venda nos olhos, protetores de ouvido, escutei música, inspirei aromas, escrevi, tateei volumes, observei formas, li atento o conceito das criações, harmonizei com chá; enfim dei pausa na correria para apreciar o momento. Vivi sem distrações. Eu mergulhando na experiência! O que é Neuroconfeitaria Conta pra gente Giu, como foi criada essa coleção? "É a primeira coleção de neuro doces brasileiros, com a Neuroconfeitaria aplicada. O local imaginário escolhido para esta festa foi o Museu da Casa Brasileira. Lá encontrei todos os elementos que acredito serem essenciais para despertar memórias, provocar emoções e proporcionar prazer ao comer um doce". Com ênfase na escolha de ingredientes 100% brasileiros e processos de Confeitaria para criar doces de festa. Boca de Renda Biomas Um passeio pelos 6 biomas (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) é uma forma surpreendente de sentir o Brasil na boca! Para confeccionar os 20 doces, utilizei 46 fornecedores e 63 ingredientes diferentes, contemplando frutas, especiarias, castanhas, meles, queijos, cafés, flores, ervas, cereal, tubérculo, entre outros". Uma Festa para os Sentidos A caixa de doces "Uma Festa para os Sentidos" é uma releitura dos antigos estojos com tampa deslizante (feito com madeira pinus de reflorestamento). Contém: 20 doces de festa, kit para realizar 7 experiências sensoriais (venda de olhos, tampão de ouvido, etc), folder explicativo do cardápio dos doces (composição e história/homenagem de cada um), folder com as orientações para a realização da degustação guiada sugerida pela chef, desenho do projeto arquitetônico do Museu da Casa Brasileira indicando Jardim, Saguão, Biblioteca, Salão de Festa e Terraço. Sarkara Jardim Para aguçar o paladar, inicie então o seu passeio degustando no Jardim do Museu da Casa Brasileira, o doce Boca de Renda (ganache de mel de terroir Mbee e chocolate Chor 55% cacau) com mel puro da abelha nativa "uruçu boca de renda", própolis verde nanotecnologia Imuni e flor Amor Perfeito comestível Deborah Gaiotto. Formato de uma colmeia homenageia a relação das abelhas com a natureza. É um amor-perfeito! A gratidão pelo processo de polinização, o cuidado dos produtores com as abelhinhas brasileiras e a produção de meles especiais. Siga com a Sarkara - doce de frutas brasileiras amarelas – abacaxi, bacuri e carambola, com ganache de chocolate Miroh! dark milk 54% cacau indiano Idukki, aromatizado com baunilha do Cerrado Vanilla Brasil, com praliné de orquídea e mini orquídea de açúcar. Pela estrada a fora... , assim foi o nome dado a cestinha de pastilhagem de chocolate Luisa Abram 70% cacau Rio Acará, brownie de chocolate 70% cacau, purê de morango e grumixama, ganache de chocolate com framboesa aromatizada com água de rosas e borboleta de papel de arroz Piperina. Tatin tan tan - pasta frolla, frangipane de pinhão, maçã e pera carameladas com amburana, geleia de maçã verde e cúpula de chocolate de caramelo Priscyla França. Moema Saguão Hora de entrar no Saguão do Museu da Casa Brasileira. Antes de mais nada provemos o Santo, santo, santo... - ganache de espumante Moscatel Valduga com queijo premiado Cruzília "Santo Casamenteiro" – queijo azul com nozes e damasco, purê de damasco e chocolate branco Garoto com pop rock (açúcar explosivo). A degustação continua, agora com o Camafeu Verônica em homenagem ao Doce Verônica, típico de Goiás. Giuliana explica dessa forma: "É uma clássica receita de camafeu da vó Delba, feita com sapucaia, castanha nativa de Piauí, colhida pela família de Juliana Franco. Doce coberto com fondant, decorado com imagem de camafeu, modelada em bala de coco." Moema - bombom de chocolate Amma – Pajé 75% cacau com especiarias – cumaru, iquiriba, puxuri – com recheios de doce de cupuaçu, brigadeiro trufado branco e farofa de castanha do Pará com cumaru. Inspiração da obra de mesmo nome de Victor Meirelles. Fibonacci - bombom de chocolate branco Mestiço 35% com geleia de jabuticaba aromatizada com lavanda e brigadeiro trufado branco com limão siciliano. Antes de mais nada: Caju, cajuína, Cora Coralina Biblioteca Entrando na Biblioteca do Museu da Casa Brasileira. Enfim, hora de homenagear uma poetisa doceira: Caju, cajuína, Cora Coralina - picadinho de caju no forno com melado de cana, cachaça mineira Salinas, mel de terroir Mbee e abelha nativa Guaraipo. "Embalado" pela xilogravura comestível "Os Cajueiros" do artista J.Borges, dacquoise de caju, geleia de limão e brigadeiro de capim santo. Engenho , doce em forma de tacho de cobre Mission Chocolate 655 com rapadura, doce de banana com rapadura, limão, laranja e canela, marzipan de castanhas brasileiras – baru, caju e Pará – e taiada ralada, com colher de pasta de tâmara, amêndoa e cacau. Homenageia, primeiramente, o nascimento da confeitaria brasileira e os essenciais Gilberto Freyre, Raul Lody, Luís da Câmara Cascudo e Mary Del Priore. Ziriguidum é feito com doce de abóbora com cravo, canela e pimenta de macaco, geleia de pitanga e acerola, bem como chocolate Baianí 70% intenso. Shahiya - lembra a influência da doçaria árabe "Suspiro da minha vó Delba, doce de figo fresco com especiarias – puxuri, cardamomo, gengibre, mel de figo, vinho do Porto, doce de batata doce roxa, figo turco e pistache." diz a chef. Ziriguidum Salão de Festa Começa então o baile, Pé-de-moleque com amendoim e castanha de baru, com chocolate ao leite Sicao linha Brasil e paçoca. Tonico & Tinoco nomeiam um brigadeiro trufado (o famoso BT) feito com leite condensado e chocolate em pó cacau Nestlé, o "chocolate do padre" . Coberto com chocolate Harald ao leite, bem como granulado de chocolate "feito em casa". O que é? O que é? - um origami entra na brincadeira para esconder essa cocada de forno, purê de tamarindo e cremoso de doce de leite, banhado no chocolate Mendoá 70% cacau com coco queimado. Cocada era uma paixão de Machado de Assis. Homenageando os doces de ovos de Pelotas, reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, nasceu o Maracajá . Cachepot de chocolate Gallette 40% cacau com baba de moça de maracujá e cajá, aromatizado com flor de jasmim . Decorado então com moldura de chocolate e a mesma flor comestível e cristalizada. Madalena Terraço Hora de deixar o salão de festa e, em seguida, tomar um ar no terraço. Madalena é uma releitura da receita oficial da Madeleine de Proust – livro "À mesa com Proust" , com milho, chocolate de pamonha Mission Chocolate, crocante praliné de milho torrado salgado, e então para harmonizar acompanha chá de tília e erva-doce. Calda de café e especiarias. Souza Leão brulée - Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, tradicional receita do Bolo Souza Leão, com crostinha de açúcar caramelizado e ampola com calda de café, aromatizado com gengibre e cardamomo. Uh, tererê! - cookie de erva mate, fudge de erva mate, purê de umbu e chocolate de erva mate. Enfim, terminando esse passeio doce: Bole-bole-rocambole . Inspirado no bolo de rolo, receita da mãe da chef feita com goiabada mole e estampa de biscuit Joconde. Cozinhando Ideias
- Pratos clássicos da cidade de São Paulo
Antes de mais nada, cabe esclarecer, que o foco dessa matéria sobre pratos clássicos da cidade de São Paulo, não confunde clássico com típico. O típico, pode não resistir ao tempo. O clássico, porém, perpetua, convidando ao eterno retorno. Nessa época estranha, onde as novidades duram apenas por um clique, precisamos de mais clássicos! Gerações que se sucedam, lugares que permaneçam em pé, pratos que desafiem o tempo. Enfim, necessitamos de memórias ou, irremediavelmente, nos perderemos para sempre. Comer, comer, comer, comer A cidade de São Paulo é sinônimo de comer bem, por um motivo muito especial, ela sempre abraçou a diversidade. Aqui, muitas histórias de vida entrelaçaram-se, culturas se misturaram, sem entretanto, precisarem perder a identidade. Uns atravessaram oceanos, outros venceram longas jornadas de terra; quanto a mim, desde que nasci, cá estive com mais um bocado de gente. E, assim, criamos aos poucos, nossa babel que, por vezes se confunde, por outras se entende, mas segue em frente, apesar de. O concreto de nossas esquinas é duro, duríssimo, mas afeito a fissuras, de onde podem brotar flores; afinal: "Somos o avesso, do avesso, do avesso, do avesso", poetizou Caetano. Então, para comemorar esse e tantos outros aniversários, pedi a alguns chefs e restaurateurs, que indicassem estabelecimentos e pratos clássicos da cidade de São Paulo. Amei as dicas e compartilho com vocês. Tem restaurante, lanchonete, bar, pratos, petiscos e até patrimônio cultural, enfim, tanta coisa boa! Meu desejo sincero? Que visitem, provem, criem memórias, perpetuem. A vida é passageira, mas a história não tem tempo para acabar. Pratos clássicos da cidade de São Paulo Rodrigo Oliveira chef do restaurante Mocotó , que oferece comida sertaneja e também já é um clássico da cidade com 50 anos de história, indicou o Bar do Luiz Fernandes , tradicionalíssimo na Zona Norte. Seu Luiz e Dona Idalina criaram um boteco com alma, que funciona desde 1970. Tudo por lá é muito bom, mas o coração do Rodrigo bate mais forte pelo Bolinho de Carne. Amanda Vasconcelos chef da Casa Tucupi , que serve comida do Norte do Brasil, indicou a Ugue’s Lanchonete e sua Feijoada. "Frequentei muito na época da faculdade, antes era do outro lado da rua. Tem uma feijoada deliciosa com cerveja gelada". Telma Shiraishi chef do restaurante Aizomê e Embaixadora da Culinária Japonesa, indicou os pastéis e salgados do Yoka na Liberdade. "Sempre que vou fazer compras no bairro separo um tempinho pra me deliciar por lá." Marcos Livi chef gaúcho do grupo BAH , que comanda diversos restaurantes na cidade, como: Verissimo, Quintana, Brique e a pizzaria Napoli Centrale; indicou o Ponto Chic e seu Bauru, que pela lei 16.914/2018 é Patrimônio Cultural de São Paulo. O famoso sanduíche foi criado no restaurante por Casimiro Pinto Neto, natural da cidade de Bauru. Ele ditou a receita para o chapeiro e o lanche ficou então conhecido como "O sanduíche do Bauru". Sua receita tradicional é feita com pão francês, rosbife, tomate, pepino em conserva, mistura de quatro queijos fundidos em banho-maria: prato, estepe, gouda e suíço. Bel Coelho chef do Cuia Restaurante e Café , indicou como prato clássico da cidade de São Paulo o Baião de Dois do restaurante Mocotó . "Amo baião e o Rodrigo faz o melhor! Fora a relação afetiva com o Mocotó, restaurante que vou sempre - e sempre tenho vontade de voltar!" Ana Soares chef da Mesa III Pastifício , indicou o tradicional francês La Casserole , desde 1954 no Largo do Arouche, e seu clássico Escargot. "Adoro escargots!!!…e…Me sinto em Paris! Por incrível que pareça faz muito tempo que não vou e estou morta de saudades…!" Helô Bacellar chef e escritora ( site Na Cozinha da Helô ), foi comandante do saudoso Lá da Venda (ah, como lá eu me sentia em casa!), indicou o Almanara da Basílio da Gama no Centro e seu Michui de Filé Mignon. O restaurante existe desde 1950. "Faz parte da vida. Eu me lembro de, em 1980, ir com um amigo de faculdade que morava no Centro e ia sempre. Achei lindo. Tinha um rodízio, do tipo festim! Depois, trabalhei ali do lado de 1983 a 1993, ia muito. Aquele espeto tem gosto de churrasco de antigamente (anos 1960 e 1970, churrasco era espeto com cebola, tomate e pimentão). Thiago Bañares chef dos asiáticos Tan Tan e Kotori ; bem como, sócio do bar de alta coquetelaria The Liquor Store . Em 2023, entrou na lista das 100 pessoas mais influentes da coquetelaria mundial (ranking The Industry’s Most Influential Figures pela revista Drinks International). Sua indicação é a Pastelaria Yokoyama , que funciona desde 1967. "O Bauruzinho de lá é a cara da minha infância!" Ivo Tavares restaurateur da Casa Tavares , indicou o Hocca Bar e seu icônico Bolinho de Bacalhau. "O bolinho de lá tem o equilíbrio perfeito entre a batata, a salsinha e o bacalhau." Desde sua fundação, em 1952, o estabelecimento criado pelo casal de imigrantes portugueses, Horácio e Maria, é uma das atrações mais conhecidas e apreciadas do Mercado Municipal de São Paulo. Tuca Mezzomo chef dos restaurantes Charco e Vista Jardins , indicou o Virado à Paulista de dois lugares: Ministro Bar e Lanchonete, onde ele come com mais frequência, porque é próximo do Charco. Bem como, o tradicional Sujinho , famoso desde a década de 60 quando atraía artistas da Jovem Guarda. Declarado patrimônio imaterial do Estado de São Paulo desde 2018, o prato é uma combinação deliciosa – e muito potente! – de arroz, tutu de feijão, bisteca de porco, torresmo, ovo frito, couve refogada e ainda banana à milanesa. “Foi a primeira comida paulista que eu me apaixonei. Cozinheiro costuma folgar na segunda-feira e, pra minha sorte, o prato da segunda é o virado." Caique Pallas chef do Bacalhau, Vinho & Cia (fundado em 1973), terceira geração dessa casa igualmente tradicional paulistana; indicou o restaurante armênio Arais do Carlinhos . "Era no Pari e agora mudou-se para um shopping no Brás. Tem dois pratos que eu e meu pai, José Carlos Pallas, comemos há muitos anos - o Arais e o Cordeiro Recheado". O Arais do Carlinhos, com mais de 50 anos de tradição, foi fundado pelo armênio Missak Yaroussalian (conhecido como Carlinhos) e conquistou clientes com seu sanduíche prensado e grelhado no pão sírio (o Arais). Entre os recheios, acompanhados pelo molho especial da casa: Carne de Kafta, que pode ganhar muçarela derretida e Pernil de Cordeiro desfiado, cebola crua e queijo muçarela. Fabio Vieira chef do Santo Grão , indicou o Vinagrete de Frutos do Mar do Bar do Luiz Nozoie , fundado em 1962. Senhor Luiz, inicia sua história com uma Sorveteria, produzindo sorvetes com sabores diversos. Passado um tempo percebeu então, que seria melhor aproveitar a sorveteira para gelar cervejas mais rápido. Transformou seu estabelecimento num bar e sua esposa, Dona Shizue, começou a produzir os petiscos.
- Aizomê Café
Antes de mais nada, o Aizomê Café na Japan House São Paulo, já está entre os meus preferidos da cidade. Comandado pela premiada chef Telma Shiraishi do Aizomê Restaurante, ele fica num lugar delicioso, junto com a biblioteca e loja de design, no andar térreo da Japan House na Avenida Paulista. A inspiração vem dos kissaten (clássicas cafeterias japonesas), que começaram a se multiplicar por lá no início do século 20. Estabelecimentos que abriram o paladar japonês para o café, tanto que eles desenvolveram novas técnicas, bem como, diversos utensílios para a apreciação da bebida. E, dessa forma, deram origem às novas cafeterias do país com conceitos modernos e arrojados. Segundo Telma me contou, a vinda dos imigrantes japoneses e seu contato com o café no Brasil, trabalhando em lavouras cafeeiras, foram fundamentais para que no Japão começassem a apreciar a bebida. Aizomê Café O café, extraído de várias formas, com diferentes grãos, provém da Fazenda Baú, que possui unidades de produção nos municípios de Patos de Minas, Presidente Olegário e Diamantina, em Minas Gerais. Fundada em 1984 pelo cafeicultor Tomio Fukuda e agora administrada pelo seu filho, Durval Takeo Fukuda. A fazenda cultiva variedades de grãos especiais como Tozan, Sarchimor, Santa Rosa, Bourbon Amarelo, Bourbon Vermelho, Aranãs, Catucai Açu e Paraíso, que são exportados para marcas famosas do Japão e agora também podem ser apreciados no Aizomê Café da Japan House. Mas, nem só de bom café vive essa cafeteria especial, há uma deliciosa confeitaria, que segue o conceito yogashi – utiliza técnicas ocidentais para criar doces com ingredientes orientais, que agradem aos japoneses. Bolo Floresta Verde O bolo Floresta Verde (génoise de matchá com ganache de chocolate branco e cranberries ao umeshu – o licor de ameixa japonesa) entrou pra minha lista de doces favoritos da cidade. O Soufflé Cheesecake com calda de frutas vermelhas é outra opção saborosa e super delicada. Igualmente, é possível pedir Choux Cream de Matchá (massa choux com casquinha crocante e recheio de crème légère com matchá). Ou então, Brownie de Chocolate intenso, à base de farinha de arroz glutinoso; entre outras possibilidades. No campo dos salgados, a paixão da chef pelo pão de queijo levou-a a uma nova receita misturando as duas culturas. Nasceu assim os mini Mocheese para homenagear o pãozinho amado pelos brasileiros e que também arrebatou o Japão há algum tempo. Fruto de muita pesquisa, o pequeno salgado é feito com queijo da Serra da Canastra, polvilho e mochi, trazendo um ingrediente-base da culinária japonesa para compor a receita. Outra sugestão é o Korokke, croquete no estilo japonês nas versões: recheio cremoso de milho e queijo e carne com batata. Há ainda o Karepan, que é um pãozinho frito recheado com karê, carne e legumes temperados com curry japonês. No capítulo dos chás, sugestões como o Genmaicha (blend com “pipoquinhas” de arroz que acrescentam a agradável nota de tostado do cereal ao sabor fresco e herbáceo do chá verde) e o Hojicha, de tom caramelado, com notas adocicadas. Nihoncha – Introdução ao chá japonês Falando neles, aproveite sua ida a Japan House SP para visitar a exposição “Nihoncha – Introdução ao chá japonês” em cartaz até abril de 2024. Sempre bom aprender sobre outras culturas! O chá verde japonês é comumente apresentado como reparador da mente e do corpo. Consumido de forma regular a muitos séculos, possui até um belo e complexo ritual, a cerimônia do Chá (Chanoyu). A exposição mostra o cultivo em diversas regiões, instalação botânica com plantas Camellia Sinensis e nove tipos de chá verde (folhas processadas e líquido resultante). Bem como, o processamento primário das folhas (arancha), o processamento secundário (shiage), objetos utilizados no preparo da bebida e a forma certa de prepará-la. Enfim, construíram uma casa de chá contemporânea utilizando materiais de descarte e tecnologia aliada a técnicas tradicionais de encaixe de madeira. A Japan House São Paulo fica na Avenida Paulista,52. Mais informações acesse o site ou instagram . + dicas acesse
- Kotori restaurante
Comer no Kotori provoca uma sensação de volta ao lar. Não sei bem como explicar isso, não sou japonês, nunca fui ao Japão e, mesmo assim, senti o acolhimento de quem retorna de um lugar distante. A comida do chef Thiago Bañares e sua equipe é tão bem feita, delicada, cuidadosa, parece que prepararam pensando em você, muito felizes por te reencontrarem depois de tanto tempo longe. Reba Pate Quando vou num restaurante, olho em volta, reparo, gosto de saber o que os outros estão comendo e como se sentem. Desejo ver quão seus olhos se fecham, assim que levam o alimento à boca. Do meu lado esquerdo, três amigas japonesas falando, inclusive, a língua materna, pediram quase todo o cardápio para compartilhar, se deliciaram. Animadas, algumas vezes espiavam minha mesa para decidirem pedir algo mais. Tipo a bela e saborosa Okonomiyaki de Polvo e Porco (panqueca japonesa de polvo, barriga de porco, repolho e cebolinha). Okonomiyaki de Polvo e Porco Do meu lado direito, dois casais de brasileiros, uma delas grávida, também pediram muitas coisas, enquanto comiam felizes compartilhando a mesa e as novidades. Foi lá que espiei o suculento Wakadori no Karaage (galetinho frito, crocante e suculento com pimenta de cheiro e maionese). Atrás de mim uma obatian (avozinha japonesa), provava com gosto muitos pratos postados ao centro da mesa, dividindo sua felicidade com filhos e netos. Comer é partilhar emoções! Karaage Kotori restaurante - Menu Não deixe de provar o delicadíssimo Reba Pate (patê de figado de frango orgânico. Acompanha picles e shokupan tostado). Bem como, o Ebi Tamagoyaki (omelete de camarão com nori, espinafre, yakinori e maionese). Yakitoris Entre os Yakitoris (espetinhos) me encantei com o sabor bem temperado da Almôndega de Frango (tsukune) - grelhada com tarê da casa e servida com gema mole e molho tarê para misturar na hora e molhar a almôndega. O de Ostra do frango (soriresu), também é uma saborosa surpresa, corte famoso no Japão e desconhecido no Brasil, porção extraída das costas da ave, bem acima da sobrecoxa. Cabe destacar que todos os frangos utilizados na casa são criados soltos com alimentação orgânica. Sobremesa Guarde espaço no final da refeição para compartilhar a imperdível Rabanada (hokupan com creme inglės tostado na manteiga com sorvete de leite e toffee). Drinks Para beber sugiro os drinks minimalistas do premiado Caio Carvalhaes, além dos coquetéis clássicos, autorais como o Cambuci Daiquiri (rum, shochu, cambuci e hortelā) e o Old Friend (shrub de caju, Ketel One, Lillet, licor de laranja). Bem como, os highballs, carbonatados e com menor teor alcoólico, como o Meron Chu Hai (shochu de cevada melão cantaloupe, limão siciliano, folha de shiso e soda) e o Tropical Fizz (Ketel One Botanicals Grapefruit & Rose, limão siciliano e soda). Vá no Kotori restaurante e, então depois me conte! Obrigado Alan pelo atendimento! Ebi Tamagoyaki Serviço: Kotori - Instagram R. Cônego Eugênio Leite, 639, Pinheiros - São Paulo (SP) Quer + dicas de restaurantes, então acesse .
- Feriae
Visitei o Feriae! Lembra daquela frase: “Abre a boca e fecha os olhos?”. Então, não é bem assim! Antes de abrir a boca, precisamos deixar os olhos bem abertos para conhecer os alimentos e a procedência do que estamos consumindo. É importante ter consciência que nossas escolhas alimentares impactam de forma direta o meio ambiente e a vida das pessoas. Empanada de kimchi, queijo quina, chutney da estação Dito isso, todos os nossos dias devem ser um ocasião especial para celebrar, ou do latim, para feriae (referência aos festejos da Roma Antiga em agradecimento aos frutos da terra). E é com essa proposta de utilizar alimentos orgânicos, de pequeno produtor, com menor impacto ambiental de produção, visando a sustentabilidade na cadeia produtiva e no restaurante é que nasceu o Feriae, do empresário Pedro Bresser e seu sócio, o chef colombiano Mario Panezo. chef Mario Panezo Ao longo dos últimos dois anos, eles percorreram dezenas de cidades em São Paulo e Minas Gerais para estabelecer uma rede de pequenos produtores orgânicos e agroflorestais, que fornecerão diferentes insumos sazonais diretamente para o restaurante, evitando atravessadores. Há um só tempo, valorizam seus trabalhos e perpetuam suas histórias. Se é para respeitar o alimento, é preciso aproveitá-lo de forma integral “Do peixe tiramos filés. Com as aparas, fazemos rillettes e ceviche. A carcaça cozida servirá de base para o molho pil pil”, conta o chef Mario Panezo, que se formou em gastronomia no Peru e trabalhou por lá nos premiados restaurantes Mayta, Astrid & Gaston e Barra Lima. Crocante de mandioca, rillette de peixe, aioli de tucupi, picles de cebola roxa e coentro Feriae - Menu Posso dizer que um dos pratos mais saborosos que provei no Feriae vem justamente dessa filosofia de aproveitamento integral: Crocante de mandioca, rillette de peixe, aioli de tucupi, picles de cebola roxa e coentro (R$56). Outro prato, que pensa além do óbvio é o Palmito na brasa, purê de castanha de caju, farofa de pupunha e picles de palmito (R$46). Todo mundo conhece o palmito, mas muitos desconhecem a pupunha, frutinha alaranjada que dá na mesma palmeira de onde se extrai o palmito. Palmito na brasa, purê de castanha de caju, farofa de pupunha e picles de palmito Panezo me contou, sobre o feijão rajado cultivado em Minas Gerais, sem agrotóxicos, há três gerações, por uma família que salvaguarda sementes pouco conhecidas. Polenta cremosa de milho crioulo, shitake à puttanesca e salada de capuchinha Bem como do milho crioulo também proveniente de uma família mineira, que continua na luta pelo alimento bom, limpo e justo. Hoje, no restaurante, o chef utiliza o milho na polenta e nas arepas; o feijão está temporariamente fora do cardápio. A sazonalidade e o fornecimento em pequenas quantidades oferecem desafios e mudanças constantes. Short rib de porco Canastra na brasa, purê de abóbora, glacê, farofa de torresmo e kale No Feriae não entra carne bovina ou salmão, por exemplo. Afinal, a redução dos impactos de produção faz parte da filosofia. Boa sugestão para quem está a fim de comer carne é o Short rib de porco Canastra na brasa, purê de abóbora, glacê, farofa de torresmo e kale (R$89). Os porcos da raça Nilo-Canastra, descendentes do porco ibérico, são criados à pasto pelo pessoal da FaBene e possuem alimentação balanceada de capim, frutos silvestres e raízes. Tarte Tatin de pêssegos, sorvete de caramelo salgado e tomilho Sobremesa Para a sobremesa: Tarte Tatin de pêssegos, sorvete de caramelo salgado e tomilho (R$38). Os pêssegos fornecidos pela Dona Marta, que os produz, colhe e faz em calda + o sorvete de caramelo salgado fornecido pela premiada Albero dei Gelati + tomilho muito fresco, são prova da excelência da produção artesanal. Refrigerantes industrializados não tem espaço no menu. Deliciosas sodas carbonatadas, são produzidas no restaurante. Provei a refrescante Ginger Ale (R$18). A carta de vinhos igualmente segue a pegada dos naturais. Enfim, a trajetória do Feriae está apenas começando, existe um longo caminho de descobertas combinações, ajustes. Minha dica, vá conhecer e acompanhe de perto as transformações. Antes de mais nada: O futuro é sustentável! Soda da Casa - Ginger Ale Serviço Feriae - Instagram Rua Padre Carvalho 171 - Pinheiros Minha visita foi realizada em setembro de 2023 Gostaria de + dicas de lugares onde ir? Então, acesse Fotos: Ale Guerra – Cuecas na Cozinha
- The Liquor Store
Então, deixa eu contar pra vocês sobre minha visita na The Liquor Store. Acredito na arte de ser discreto. Nesse mundo que berra, o silêncio tem poder. Em tempos de opulência, onde o trabalho do arquiteto, por vezes, impressiona mais que o do criador do menu; frequentar um lugar escondido, intimista, na penumbra, sinalizado apenas por pequeníssima placa e ao som de conversas tranquilas, de quem pretende apenas trocar boas ideias, sem espalhafato, é experimentar o privilégio da calmaria. Obviamente, nada disso adianta, se o oculto desagradar quando revelado. Mas, posso dizer que agrada, agrada muito, transforma-se em desejo de reviver a experiência. Apple Pie Sour The Liquor Store Visitei a casa de alta coquetelaria do grupo Tan Tan e é esse sentimento que compartilho com vocês. Cheguei na hora marcada, caminhei pelo térreo, onde funciona o restaurante Goya Zushi, do chef Uilian Goya e subi as escadas, para encontrar atrás de uma porta de correr, os acolhedores 20 lugares, atendidos pelos bartenders Renan Pacífico; Anderson Mendes e Juana Mortula. Era um terça-feira tranquila, própria para um bate-papo. Sou escritor, então gosto de ouvir histórias. O Renan trabalhou por um ano num hotel na Irlanda, para aperfeiçoar o inglês e descobriu que os irlandeses gostam mesmo é de beber cerveja e whisky produzidos no país, muito raro beberem drinks. A Juana chegou de Buenos Aires direto do Florería Atlântico, frequente na lista 50 Best Bars. Ela me contou sobre a concepção dos drinks do bar argentino, utilizando ingredientes que contam histórias de povos nativos. O Harry que, na verdade, é Anderson, mas nem ele já se chama assim, veio de Santos, trabalhou em cozinha, bar e quando entrou no grupo de casas do Thiago Bañares, mergulhou fundo na coquetelaria. Gosta de amargor, dipirona na veia, comia jiló desde pequeno. Lost in Translation Bom aprender sobre os drinks, as substituições de bebidas, as misturas e técnicas para chegar no resultado final de sabor. Segundo me disseram, Thiago Bañares e Caio Carvalhaes (responsável por toda a operação de bar do grupo Tan Tan), queriam trazer para os drinks sabores que lhe são caros como: mel, melão, café, acerola, maçã, coco e goiaba. Drinks O menu desenhado num Moleskine traz sete coquetéis autorais, passando por highballs, martinis, sours e milk punches, e 16 clássicos, alguns levemente alterados, seguindo as preferências da equipe em busca de mais equilíbrio. Que tal uma tortinha de maçã líquida? O Apple Pie Sour (R$ 47) feito com gin infusionado com maçãs, xarope de especiarias, limão-taiti e gotas de vinagre da fruta, traz essa sensação reconfortante ao paladar. Coco Chanel Coco Chanel (R$ 57) soa um drink elegante? Então, ele leva três dias para ficar pronto. É incolor, parece que você está bebendo a água mais pura, só que ela vem acrescida de uma delicadeza única de sabores. Feito com rum, coco e orgeat (tradicionalmente um xarope de amêndoas, mas no bar foi preparado com castanha de caju). Passa por congelamento de 24 horas e depois filtragem de 24 horas. Unknown Cocktail Topa provar o desconhecido? O Unknown Cocktail (R$ 62), convida a um jogo dos sentidos. É tão complexo, que num passeio pela boca evolui do doce para o amargo, transformando-se sem possibilitar descobrir quais são os ingredientes não revelados. Não vou contar nada, permita-se. Quem disse que mel é apenas doce? Os bons meles fermentam naturalmente, ganhando riqueza de aromas e sabores. O drink My Honey, com base de vodka é floral, doce e ao mesmo tempo tem um toque avinagrado. My Honey Entre os clássicos o Old Fashioned ganha rum no lugar de whisky e fica muito bom! O Lost in Translation, frutado e refrescante, leva vodka, soda e melão cantaloupe. O cremoso Barbados Cold Brew, segue os princípios do Expresso Martini, mas troca a base para rum; leva café, especiarias e é uma boa forma de encerrar a noite. Taças finas e elegantes elevam a experiência de degustação, dispensando alegorias desnecessárias. Abaixo do balcão foram instalados cinco freezers dedicados especialmente às taças e copos, que saem para o serviço em temperatura negativa para garantir a textura aveludada da bebida por mais tempo. Old Fashioned Não é um lugar para ir comer, ok? Não tem cozinha, apenas alguns tira-gostos; montadito de damasco, anchova e azeitonas (R$ 35) e prato de queijos, servido com geleia de yuzu (R$ 45). Às quartas-feiras, uma carta especial de martinis entra em cena para acompanhar ostras frescas vindas diretamente de Santa Catarina. Barbados Cold Brew Serviço The Liquor Store - Instagram Alameda Franca, 1151, 1o andar (em cima do restaurante Goya) Horário de funcionamento e reservas. De terça a sábado 1º turno: 19h-21h30 2º turno: 21h45 – 00h15 20 lugares Assentos sem reserva sujeito a disponibilidade Obs: Enfim, minha visita foi realizada em setembro/2023 Gostaria de + dicas de lugares onde ir? Então, acesse Fotos: Ale Guerra - Cuecas na Cozinha
- Turismo Gastronômico na Lapa
Antes de mais nada, gostaria de dizer que aplaudo entusiasmado a chegada do Programa de Turismo Gastronômico na Lapa e região. Eu acredito no poder transformador da comida. A comida humaniza, acolhe, agrega, por isso precisa de gente. Gente pra comer, gente pra fazer. A comida gera emprego, renda, dignidade. A comida sustenta! Sustenta de pé, quem se alimenta. E quantos dependem dela pro sustento dos seus? A comida, muitas vezes, é a alma do negócio. E negócio sem alma, sem história, sem gente, é apenas dinheiro, carece de humanidade. Confesso, pra mim importante é o humano, tenho esse caráter incorrigível de me importar com as pessoas! Então, só posso ficar muito feliz com a chegada do Programa de Turismo Gastronômico na Lapa e região, desenvolvido pelo Sebrae SP (Lapa) em parceria com o Observatório da Gastronomia da Cidade de São Paulo, Núcleo Mundo Mesa, Prazeres da Mesa, Abrasel SP, Senai SP, Spturis, Prefeitura da Cidade de São Paulo, West Plaza e ACSP Distrital Oeste. Vontade de fazer acontecer! Aliás, cabe ressaltar que tudo começou com gente com vontade de fazer. Gente que se importa, que faz diferente, que faz diferença. Gente que não fica parada, não se acomoda, não só reclama; enfim, gente que vai lá e faz! Eu testemunhei isso de perto participando desse momento inaugural, o primeiro tour de imprensa. Um táxi me pegou em casa às 8h da manhã, a Renata do Sebrae SP (Lapa) veio junto para me acompanhar e eu retornei perto da meia-noite com o Paulo do Sebrae SP (Lapa). Todos empolgados do começo ao fim! Desde a minha primeira parada, o café da manhã na Santiago Padaria Artesanal, até a última na Vituccio Pizzaria, o que encontrei foi acolhimento puro, uma vontade imensa de fazer dar certo de todas as pessoas das casas participantes. Foi um ano de planejamento, muitas vontades envolvidas e burocracia vencida com determinação. Renata, Thiara, Juliana, Paulo, que baita equipe é essa do Sebrae SP (Lapa). Gosto de gente com brilho nos olhos, emocionada por fazer acontecer. Georges (Núcleo Mundo Mesa, Prazeres da Mesa) e Guta (Observatório da Gastronomia) como é bom estar ao lado de pessoas como vocês e realizar a utopia de construir um mundo melhor pra todos. Senta que lá vem histórias! Turismo Gastronômico na Lapa Santiago Padaria Artesanal Então, eram 9 horas da manhã quando começou meu roteiro do Programa de Turismo Gastronômico na Lapa (região), na imperdível Santiago Padaria Artesanal dos sócios Lucas Alves e Tiago Saraiva. Os dois começaram em 2013, fazendo pães na cozinha de casa para amigos. O negócio foi crescendo e, em 2017 abriram a padaria para o público. Planejado para ser acolhedor, pois desejavam receber os clientes como se estivessem em casa, a dupla espalhou pelas paredes coloridas, objetos que retratam seus gostos pessoais, para personalizar o ambiente. Caso dos talheres antigos comprados em uma feira de rua em Berlim (Alemanha), que foram emoldurados. No dia de abertura da Santiago era tanta gente da vizinhança interessada nos pães de fermentação natural, que eles não deram conta, precisaram repensar a estrutura, me contou Lucas. Em seguida, no decorrer da nossa conversa, Tiago confessou a paixão por fazer pães folhados, seu trabalho mais recente. A Santiago ficou famosa, desde o início, pelo seu Pão de Alecrim com Sal Grosso que, ainda hoje corresponde a 40% das vendas. Porém, agora conta com uma variedade grande de pães de fermentação natural, folhados e doces. Tudo feito com farinha orgânica brasileira da Biorgânica. O ambiente é uma delícia, dá vontade de ficar e provar de tudo um pouco. Amei o levíssimo Pão de Abóbora com sementes na casca e no interior. Sugiro também que provem os folhados, crocantes, amanteigados na medida, macios e aerados por dentro. Que começo de dia! A Santiago entrou para o meu rol de melhores padarias da cidade. foto do acervo da Prefeitura de São Paulo Mercadão da Lapa O Mercadão da Lapa não é feito de uma, mas de muitas histórias de vida, histórias de gerações, daqueles que trabalham nos boxes e, igualmente, dos que frequentam para compras. Nascido em 1954, dentro do pacote comemorativo do IV Centenário de São Paulo, o Mercado Municipal da Lapa tem uma história peculiar, abriu e fechou no mesmo dia. Inaugurado em 24 de agosto, com o objetivo de atender à população do bairro, predominantemente, colonizado por imigrantes italianos no começo do século XX, teve que cerrar as portas em luto, poucas horas depois da abertura. Naquele mesmo dia, o Presidente da República Getúlio Vargas, se suicidou. No começo funcionavam apenas 40 boxes, a maior parte deles migrou de um mercadinho que existia na Rua Clélia. A previsão inicial do engenheiro de origem italiana, José Vicente Vicari, que projetou o prédio em formato triangular, estimava a lotação máxima em 160 boxes. Hoje, o Mercadão da Lapa funciona com 96 boxes oferecendo bebidas, queijos, ervas medicinais, temperos, grãos, conservas, frutos do mar, embutidos, carnes, aves, produtos de tabacaria, produtos para animais domésticos, entre tantos outros itens. Na opinião desse que vos escreve, é o melhor mercado para o cozinheiro encontrar ingredientes frescos e secos. Histórias e Memórias Falei de histórias de vida, então deixa eu te contar a que ouvi dos irmãos Geraldo e Regina Gaeta, que comandam o Empório Gaeta no box 8. O avô deles veio da Itália tentar a vida e tinha um empório no antigo mercadinho da Rua Clélia, migrou para o novo Mercado da Lapa na época da inauguração, já com a esposa e filhos trazidos da Itália. Afinal, a vida dele havia se ajeitado, como a de tantos imigrantes acolhidos por aqui. Geraldo, terceira geração da família Gaeta à frente do empório, num misto de nostalgia e alegria pela memória, recorda-se, ainda pequeno, pedalando um Tico tico, correndo por aqueles corredores. A pedalada ficava ainda mais forte quando Seu Barbante o perseguia, ele tinha muito medo do homem. Quer saber o motivo? Pois, isso eu não vou te contar, só indo no box 8 e pedindo pro Geraldo o final da história. Os filhos dos irmãos Geraldo e Regina Gaeta seguiram outros rumos, a próxima geração no Mercado da Lapa ainda não está garantida. Mas, eles prometem que continuarão o legado do avô até quando a vida lhes permitir. Outra descoberta muito importante da minha visita foi entender a função social do mercado. Comprar à granel os alimentos secos e rações para animais, não é apenas uma escolha pessoal. Muitas vezes é a única forma que frequentadores mais pobres têm para conseguir o que comer naquele dia, bem como o que dar de comer a seu animal de estimação. Gente que frequenta o mercado, quase todos os dias, com os trocados que permitirão não passarem fome. É por isso que, em épocas de crise, as vendas à granel aumentam. (fonte Prefeitura de São Paulo) Valadares Visitar o Valadares é voltar no tempo, mais precisamente 1962, quando os irmãos Seu Valdir (82 anos) e Seu Luiz (85 anos) começaram a dar expediente por lá. Fui recebido pelo Seu Luiz, ainda cheio de vitalidade aos 85. Seu Valdir me confessou uma dor nas costas naquele dia. Os passos hoje são mais miúdos, mas a vontade de servirem segue a mesma. Eles continuam enfeitando os pratos transparentes e as bandejas de alumínio, desgastadas pela história, com muitos acepipes expostos no amplo balcão de vidro e preparos quentes saídos da cozinha. Seu Luiz, logo na chegada do grupo, fez uma proposta ousada, que tal uma rã à milanesa? Eu topei na hora! E ela veio, empanada, bem fritinha, suculenta, uma inteira e outra já cortada. https://www.youtube.com/shorts/F2PD-CcU9JI Quem não conhece rã e quer provar, essa é uma ótima oportunidade, passa no Valadares ! A rã tem carne branca, lembra a de frango, mas pra mim é mais suculenta. Aviso: cuidado com os ossinhos! Baixaram ainda na mesa: torresmo, amendoim, castanha de caju, batatinha, cebola em conserva, azeitonas verdes e pretas, salsicha, cogumelos, tremoço; enfim, os símbolos da botecagem raiz. Para acompanhar peça caipirinha, são muitos rótulos de cachaça, inclusive uma de marca própria. Fiz questão de tirar uma foto entre os dois irmãos. Personagens que ajudaram a escrever a história dos botecos paulistanos, a história da Lapa. Casa da Tanea Conheço a Tanea Romão faz um bom tempo, ela já me ensinou muito, pois é uma grande pesquisadora de cozinha brasileira. Gosta de resgatar ingredientes e temperos; bem como receitas, que estão quase se perdendo pela oralidade, afinal vivemos numa época em que todos desejam falar, mas pouca gente quer ouvir. Seu trabalho começou no ano de 2000 em Gonçalves (MG), fazia geleias, compotas e temperos. Em 2009 criou um restaurante de cozinha brasileira, com nome africano, assim valorizava suas raízes e o país onde nasceu, surgia o Kitanda Brasil. Em 2012 mudou-se para Tiradentes com o Kitanda Brasil, ganhou prêmios (ficou entre os 50 melhores restaurantes do Brasil pelo Guia 4 Rodas ) e foi reconhecida nacional e internacionalmente. Inquieta, decidiu voltar pra São Paulo em 2016, pro lugar onde cresceu na Vila Romana. Então, em 2018 reabriu seu Kitanda Brasil na mesma casa onde morava, agora fazendo comida de panelão, do dia a dia, que a gente come em casa. Pegou mais uma vez a estrada, faltava ainda alguma coisa. Em 2019, durante 6 meses, fez um trabalho com mulheres cozinheiras e doceiras em situação de vulnerabilidade. Voltou ainda mais consciente do poder transformador da comida, mais engajada na luta pelo alimento bom, limpo e justo; valores alinhados com o movimento Slow Food. O restaurante Seu restaurante se transformou na Casa da Tanea , nome apropriado para o que acontece naquele casarão antigo na Rua Catão 893; que te recebe de portões abertos e lembra de tantos quintais da nossa infância com piso de cacos de cerâmica. Hoje, Tanea só quer receber em casa, oferecer comida boa e simples; porém executada com cuidado e os melhores ingredientes à disposição. Penso que o simples bem feito é o novo luxo! Enfim, pra encerrar esse nosso dedo de prosa, provei dois pratos deliciosos, que merecem o meu retorno e a sua visita: Nhoque de Batata Doce com Molho de Tomate Fresco e Galinha Caipira, servido numa marmita de alumínio e Tutu de Feijão com Costelinha Defumada e Fubá Torrado que, conforme a quantidade de comensais, chega à mesa naquelas panelas de barro típicas capixabas. Ah, ia me esquecendo, o sorriso largo da Tanea está no menu todos os dias! Mesa III Visitar Ana Soares é sempre uma festa, pois é uma das chefs mais empolgadas com o trabalho que eu conheço. Ela ama o fazer artesanal. Faz questão que mãos humanas executem os processos da cozinha. As máquinas servem apenas para o essencial. Como ela mesmo disse, contratar pessoas, aos invés de substituí-las por equipamentos é um ato político. Verdade! Por isso resolvi tirar essa foto da Ana no meio de uma pequena parte da sua equipe. É um ato político, social e humano, acredito eu. Afinal, a comida alimenta vidas, como já escrevi no começo da matéria. É um ato inteligente também. Convido para um breve raciocínio, se todos os empresários decidirem substituir humanos por máquinas, quem pagará por seus produtos e serviços? Os robôs? Sigamos em frente, lá no pastifício Mesa III , a rotisseria fica logo na entrada do amplo galpão, que um dia já foi uma fábrica de pratos, nos contou entusiasmada a chef; feliz por tudo ser aberto e os visitantes poderem enxergar a linha de produção artesanal. Lá estão as massas coloridas, sua marca registrada, ganhando formatos e recheios diferentes. Os nhoques são enrolados em amplas mesas, cortados um a um na faca, pré-cozidos num caldeirão e depois resfriados com banho de água com gelo. Os molhos são preparados em panelões num grande fogão industrial. Tem também forno à lenha de onde sai, entre outras coisas, franguinho pro final de semana. Enrolado e Granulado Antes de mais nada, achei o nome criativo, porque resume bem a que veio. Fomos recebidos pelo João Victor, que cuida da loja e nos contou a história do lugar. Passava então das 16h, era minha sexta visita dentro do Programa de Turismo Gastronômico na Lapa (região). Parecia difícil comer mais alguma coisa, mas eu tenho o dom de me esforçar. Risos. Além do mais, eram brigadeiros, quem resiste a uma bandeja de brigadeiros? Essa história, como tantas outras, começou dentro de um apartamento. No fim de 2013, dois jovens empreendedores, Daniel Machado e Natália Tosatto, criaram a Enrolado & Granulado Brigadeiro Gourmet. À princípio, o foco era apenas na produção artesanal de Brigadeiros Gourmet e Doces Finos para Festas, Casamentos, Eventos e Gifts Corporativos. Duas marcas, eram e continuam sendo garantidas no preparo dos docinhos: Callebaut (chocolate belga) e Leite Moça. O mercado de casamentos se expandiu e a dupla decidiu montar um atelier para receber as noivas e fazer degustação. Lugar onde conversávamos naquele momento e que se transformou também em uma doceria, graças aos apelos dos moradores locais. Entre e se aconchegue para tomar drinks com café, comer brigadeiros variados, bolo de coco embrulhado; ou então a mais pedida, sobremesa da @Tata (espiral de chocolate ao leite recheado de calda crocante e wafer. Acompanha sorvete de creme e calda de chocolate quente). Hilda Botequim A casa inaugurada em 12 de maio de 2018 na Vila Ipojuca, é uma homenagem da proprietária e chef Alessandra Ramos para a avó Hilda. Hilda Gomes de Oliveira era mineira, matriarca de uma família de sete filhos e avó de um punhado de netos. Mulher forte, batalhadora, corajosa, durona. Seu ponto fraco era a “cozinha de estar” cheia. A casa movimentada e netos correndo pelo imenso quintal, provocavam-lhe sorrisos de doçura. Música, muita comida e bebida denotavam seu lado festeiro. Esse jeito afetivo de receber da avó inspirou a chef no seu Hilda Botequim . Aliás, os avós são tão importantes para a Alê, que há uma parede com memorabília, homenageando não só a sua avó, como também outras avós e avôs. Uma coleção de objetos de cozinha, que agora entraram para a história. Alê, que me ofereceu logo de cara uma Harmonização de Cachaças com Petiscos, confessou que o que ela quer mesmo é que, como ela, uma mulher entre na sua casa e se sinta confortável para beber cachaças. Brasilidade é a marca do cardápio do Hilda Botequim , que aposta em petiscos e pratos regionais, na reverência às cachaças e valorização das pequenas cervejarias artesanais. Bons petiscos para compartilhar não faltam, depois de um dia inteiro comendo, confesso que ainda comi: Pastéis de carne, queijo e abobrinha (tem até formato de coração!) Bolinho de mandioquinha com queijo Canastra (sem farinha na massa) Bolinho de costelinha suína Torresminho do Hilda Pão de queijo com ovo de gema mole Pão de queijo com pernil Para beber, a sugestão da chef foi a Caipirinha 3 limões com melado e cachaça de bálsamo. Na carta de drinks, homenagens a grandes mulheres brasileiras: Cora Coralina, Chiquinha Gonzaga e Tarsila do Amaral. A Casa do Tortano O espírito de parceria entre alguns empreendedores funciona muito bem na Lapa, cabe destacar o quão isso é importante quando envolve os pequenos negócios. Marcos Masella ainda não tem um lugar aberto ao público; sua empresa, por hora, atende delivery, feiras, condomínios e eventos. Mesmo assim, conseguiu nos oferecer uma degustação de seu Tortano e de suas Puccias no Programa de Turismo Gastronômico na Lapa. Como? A chef Alê Ramos do Hilda Botequim, emprestou seu espaço de eventos, que funciona em cima do Hilda. Lá, Marcos armou sua bancada com recheios, massas e forno, conseguindo aquecer seu Tortano e assar e montar na hora suas Puccias. Filho de italianos, Masella sempre preparou Tortano (o tradicional pão de linguiça calabresa, originário do sul da Itália) em parceria com um primo para as festas da família. Porém, nunca havia pensado em vendê-lo até a chegada da pandemia. O pão de massa macia, preparado com farinha italiana tipo 00 e fermentação lenta de 48 horas, assado no forno até atingir uma casca dourada e crocante, virou negócio, foi seu sustento, nascia A Casa do Tortano . Em agosto de 2021, viu a necessidade de expandir a linha de produtos, os Tortanos já vendiam bem, além do tradicional de calabresa criou outros recheios como, por exemplo, o de vegetais. Surgiram assim as Puccias, sanduíches italianos de rua, típicos da região da Puglia. A massa de fermentação natural é assada na hora e infla, cortada ao meio pode ser recheada dos mais variados sabores. A festa das combinações está feita! Enfim, devo dizer que as Puccias são deliciosas, muito leves, dá vontade de comer várias, dá vontade de comer só o pãozinho assado, sem recheio. Acho que Masela terá que aumentar o nome da sua empresa: A Casa do Tortano e das Puccias. Risos. Cervejaria Avós A Cerveja Avós foi fundada por Junior Bottura, um neto que teve a sorte de conviver com todas as suas Avós. Não tinha idade pra tomar uma cerveja com as seis, mas curtiu cada uma o suficiente pra querer fazer uma homenagem pra elas em forma de cervejas tão especiais quanto almoço de domingo na casa de vó. Especializada em cervejas do estilo lager (baixa fermentação), inclusive o lema da cervejaria é #SimSóFazemosLagers , a Avós explora a criatividade de seu fundador em receitas clássicas e modernas, com ingredientes variados e até inusitados, frutas, raízes, temperos e envelhecimento em barricas. Minha penúltima parada no Programa de Turismo Gastronômico na Lapa, a visita à cervejaria instalada num charmoso sobrado de mais de 80 anos na Vila Ipojuca, foi uma saborosa surpresa. De lá saem todas as criações de Bottura, que depois podem ganhar escala em outros lugares. As cervejas A primeira cerveja provada e amada, também foi a primeira lançada e premiada, Vó Maria e o Seu Lado Zen – Hoppy Lager com amargor presente, mas bem fácil de beber, que agrada de cervejeiros iniciantes a veteranos. Não à toa ganhou medalha de Ouro no Festival Brasileiro da Cerveja e na Copa Internacional da Cerveja. Inusitada na degustação, a India Pale Rice leva na receita arroz e manga, faz parte da linha de cervejas Avós Fora da Caixa. Confesso que meu coração bateu mais forte pela Porter Baltic Negroni, engarrafada, com edição especial de poucas unidades, vendida só lá na cervejaria. Essa cerveja descansa em uma barrica de carvalho americano que continha Negroni, mas o sabor do drink é bastante delicado. Por tudo que provei, delicadeza e elegância são um carimbo da Avós, a Porter Baltic Base, que ganhou Medalha de Prata no World Beer Awards 2022 em Londres, tem os aromas e sabores tostados, que lembram café, porém, sem carregar aquele amargor pronunciado, que às vezes cansa o paladar no primeiro gole. Enfim, amei essas avós que tricotam lúpulo. Vituccio Pizzaria Dizem que a expressão “tudo acaba em pizza” surgiu depois de uma reunião de dirigentes do Palestra Itália (hoje, Palmeiras). Com ânimos acirrados, alguns italianos, fundadores do time de futebol, discutiam aos gritos e só não chegaram à agressão física, por causa da turma do “deixa disso”. Reunião terminada, todos se dirigiram para uma pizzaria onde selaram as pazes comendo muitas redondas. Posso dizer que cheguei na Vituccio , completamente em paz, depois de um dia saborosamente lindo e lá encontrei não só boas pizzas napoletanas, como também fui apresentado às rotolinas, parece um rocambole de pizza que foi assado em fatias. Fundada em 1982 pelo italiano Vito Colonna, a Vituccio , tem aquela atmosfera familiar de bairro e toalhas xadrez espalhadas pelas mesas. Quem me recebeu foi o querido Paulo, ele é de Salvador (BA), comprou a pizzaria em 2013 e hoje a administra ao lado da Regina (esposa de seu falecido sócio Dida). Dida partiu na pandemia e Paulo me contou emocionado, que foi uma luta, mas conseguiu manter todos os funcionários, que sempre trabalharam na casa. Carlão, Tota e o Zezinho no salão; Carlinhos o chefe pizzaiolo com seus assistentes Antônio e Luan, a jovem Letícia no caixa e no atendimento. Todos conhecem os clientes assíduos pelo nome. No bar tem o Edson e na cozinha a Jô, responsável pelas sobremesas italianas como, por exemplo, o Tiramisu. Completando o time, os três motoboys Paulinho, Léo e Daniel. São mais de 40 anos de tradição, fazendo pizzas com farinha italiana pelo processo de longa fermentação. São mais de 40 anos de respeito com a mão de obra artesanal. Pães de Queijo recheados do Hilda Botequim Turismo Gastronômico na Lapa O Reencontro Eram muitas casas para serem visitadas no Programa de Turismo Gastronômico na Lapa, então o roteiro foi dividido em três turmas, os estabelecimentos que descrevi acima com detalhes, foram os que visitei. Igualmente fazem parte do projeto: Padaria Natalina, Dona Felicidade, Villa Lucco, Forno Fecchio, Ipo Bar, A Vinha Bar, Lapa Lapa, Fabrique, Espaço Zym, Espaço Arimbá/ O Milhoo, Torta Urbana, Bolla Churrasco em Casa, Na' Pizza Napoletani e Number One Burger Os três grupos só se encontraram durante o dia no Mercadão da Lapa e depois no Mesa III, fora isso cada um percorreu roteiro diferente. No final do tour, depois das 22h, tudo acabou em pizza. Os remanescentes dos três grupos voltaram a se encontrar, agora com a missão cumprida. Só vi sorrisos e alegria contagiante, ninguém estava cansado de tamanha maratona. Na Vituccio comemos mais um pouco e brindamos ao sucesso do Programa de Turismo Gastronômico na Lapa e região. Ah, voltei pra casa com uma cesta linda, quase impossível de carregar, com itens de todos os participantes, gentilezas bebíveis e comestíveis. Pra Finalizar Você que me lê, eu te peço: Valorize o pequeno empreendedor, descubra e prestigie os da sua região. “Viaje” até outros cantos da cidade de São Paulo para descobrir novos. A cidade é tão grande, não limite seus horizontes. Enfim, gere sustento para muitos e não dividendos para poucos. Quero pra mim, que nasci e cresci aqui e pra todos que chegaram e ainda chegam, uma cidade de São Paulo NÃO pasteurizada, verticalizada, ultraprocessada, despersonalizada, xoxa em cada esquina. Mercado da Lapa Desejo projetos como o Turismo Gastronômico na Lapa e região, espalhados pelos mais diversos bairros. Quero saber das histórias de vida, aquelas, de verdade, olho no olho, não as inventadas num storytelling. Quero portinhas e janelas abertas, casinhas coloridas, sorrisos de orgulho nos lábios, provar receitas novas ou centenárias de gente que faz comida pra gente. Enfim, quero viver de novo e de novo, essa experiência inesquecível, peregrinando de um lado para outro, desde às 9h até às 23h, deixando um pouco de mim, levando um pouco de todos. Viver é trocar emoções! Leia + Viagem Gourmet
- CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos
Já pensou em 'despensar' a vida? E perder-se, na tentativa de se reencontrar? A partir dessas questões abro caminho para meu novo romance, CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos. Dessa forma, com meu quarto livro, outra produção independente, quero provocar uma reflexão bastante atual: Nessa sociedade de relacionamentos líquidos como podemos sobreviver? CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos Na busca por respostas, conduzo o protagonista Joca numa jornada com destino mas sem rumo, onde descobre a pequena Forteza. Cidade turística, gastronômica e sustentável que, há mais de 50 anos, é refúgio para visitantes, ainda dispostos ao encantamento, pessoas que desejam viver dias de desconexão com o dispensável. A cidade foi construída por moradores que decidiram viver a utopia de um futuro melhor. No meio do caminho uma terrível Pandemia! Será que a vida em Forteza é mesmo perfeita, os personagens que a habitam não tem suas dores? Bobagem, todos temos as nossas! No final sobra a pergunta: Forteza é um lugar utópico ou fomos nós que nos acostumamos a viver numa distopia? A querida Rosa Moraes, embaixadora dos cursos de Turismo e Hospitalidade da Ânima Educação, no prefácio do livro, fez uma analogia de sensações com a mítica Macondo e seus habitantes em ‘Cem Anos de Solidão’, do genial Gabriel García Márquez. Escreveu: “ Confortam-se: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos é um retrato sensível que o autor pinta do que todos nós acabamos de vivenciar, no momento em que ficamos em casa, forçados a suprimir a presença física, o toque e o abraço do convívio”. A grande chef e amiga Roberta Sudbrack, disse nas orelhas da capa: “É um livro tão mágico assim? Eu e minha incurável utopia, esperamos que passem ao menos um dia em Forteza e voltem de lá muito mais felizes e um pouquinho mais imperfeitos!” A edição geral é de Breno Lerner (amigo que há muitos anos é um grande mentor), a edição é de Guta Chaves (amiga de todas as horas) e as ilustrações em aquarelas, que interpretam Forteza, são da artista plástica Ramile Leandro (Rami, foi tão bom te encontrar! Já te disse, você pinta sonhos), mestre pela Accademia di Belle Arti di Firenze. Serviço CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos Valor do livro: R$58,00 (+ R$12 de frete fixo para todo o Brasil) Comprar autografado pelo sistema PagSeguro Festa de Lançamento Então, só queria dizer que estou muito, mas muito feliz! A festa de lançamento com sessão de autógrafos do meu novo romance - CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos , foi um delicioso sucesso! Durante 4 horas, das 18h até mais de 22h, autografei ininterruptamente na Le Blé Casa de Pães (Higienópolis – São Paulo). Quanta gente querida! Dá só uma olhada na montagem de fotos! Muitas pessoas colaboraram para que o livro acontecesse, cerca de 3 meses antes da sessão de autógrafos, eu lancei uma campanha pedindo para que comprassem antecipadamente 5 livros (cota Apoiador Amigo) e 10 livros (cota Patrocinador Amigo). Mais de 50 amigas e amigos participaram, tiveram seus nomes impressos no livro e possibilitaram que o meu sonho se transformasse em realidade. Também teve pré-venda e vendas no local. Só sei que no lançamento já estavam vendidos mais de 500 livros! Enfim, como não me emocionar? Agradecimentos Igualmente queria aproveitar para agradecer parceiros que foram fundamentais para animar a festa. Fábio e Martin, grandes anfitriões, que serviram deliciosos pães folhados da Le Blé Casa de Pães a tantos que passaram por lá. Lúcia Paes de Barros (LPB Assessoria) pela conexão imediata com a Aurora Fine Brands e a equipe do Licor 43. Os convidados amaram provar o icônico Carajillo, drink com Licor 43, café e gelo. Fernanda Teixeira, obrigado por oferecer a Bfiver – cidra brasileira artesanal, deliciosa e fresquíssima. Só sei que quem provou, amou! Minha amiga Mariana Fonseca, que sempre me apoia com sua Documennta Comunicação e, dessa vez, também fez ponte com o super premiado, entre os 10 melhores do mundo, Azeite Sabiá. A degustação foi deliciosa e ainda pude contar com a presença da Bia e do Bob fundadores da marca, que me convidaram para visitar a propriedade em Santo Antônio do Pinhal. Novos eventos virão por aí: Jantares especiais do livro com chefs de todo o Brasil. Bem como, Palestras sobre Encantamento e Turismo Gastronômico para hotelaria, associações de turismo, entidades de bares e restaurantes, prefeituras, etc. Sobre isso darei mais detalhes em outro post. Então, para finalizar teve essa matéria linda sobre o livro CONFORTAM-SE: Olfatos Angustiados & Corações Aflitos publicada pela Veja São Paulo edição impressa e no Blog do Lorençato !
- Onde Comer em Canela
Antes de mais nada, quero dizer, Canela é uma cidade na Serra Gaúcha, que vale muito a visita. Então, além de te dar várias opções saborosas de Onde Comer em Canela, também darei dicas de Onde se Hospedar em Canela e lugares, que você precisa conhecer. É gostoso caminhar pelas ruas, olhar as vitrines, descobrir os pequenos estabelecimentos, parar para um café demorado, bem como uma refeição sem pressa. Canela, igualmente, é lugar de passeios para os apaixonados por natureza. Onde Comer em Canela Galangal Se você gosta de um restaurante asiático, desde já te indico o Galangal , que passeia pelas cozinhas da Tailândia, Indonésia, Índia e Japão. Conversando com a Magda Correa, proprietária do restaurante, decidi deixar de lado sushis e sashimis, para mergulhar nos sabores exóticos dos outros países e posso dizer, foi uma linda viagem! Pão Chapati com chutneys indianos - pão tradicional indiano, chutneys de abacaxi, manga, berinjela defumada, geleia de pimenta, molho tarê Pad Thai - talharim crocante com legumes salteados no wok, green curry, tamarindo e molho de ostra (Tailândia). Nasi Indiano - legumes salteados na wok com arroz de jasmin, cubos de abacaxi e curry indiano, servido dentro do abacaxi (Índia). Salada com manga e camarões (Indonésia). Manga Thai - manga flambada na cachaça, cozida em calda de laranja, servida com sorvete de creme. Pra beber um refrescante Lassi de frutas - iogurte, manga, maracujá, laranja, pistache e cardamomo. Containner Bistro À primeira vista, olhando da rua, nos chama atenção os diversos containers empilhados, que formam a fachada com jeitão industrial. Dentro encontramos um galpão comprido, de pé direito bastante alto mas, inesperadamente aconchegante. Resultado da parceria do bistrô com a loja Mãos do Mundo, especializada em decoração com produtos do Oriente e que ocupa a maior parte do espaço. O Containner Bistrô , da querida Grazi Franzen, é parada obrigatória para quem busca Onde Comer em Canela. Por lá é possível tomar um café acompanhado de torrada, a partir das 11h. Almoçar um A La Minuta (prato feito com sugestões diárias do chef). Bem como, aproveitar a tarde para um drink ou vinho (garrafa ou taça). A Grazi, entendida no assunto, tem sempre dicas boas. Enfim, para acompanhar os bebes, imperdíveis Palitos de Berinjela em crosta de parmesão do chef Thomaz Silveira, que chegam à mesa crocantes e sequinhos, difícil é parar de comer! As Croquetas de mix de cogumelos e de linguiça artesanal picante, ou então os Dadinhos de Queijo Colonial, produzido em Canela. Para jantar dois clássicos de sucesso: Filé ao Vinho e Nhoque ao molho de nata, bacon e cogumelos tostados. Os adeptos do veganismo podem pedir a Carta Verde, com cardápio especial de opções sem proteína animal. 847 Forneria Nessa pizzaria, a massa crocante, leve, macia, com boas bolhas de fermentação e bem gostosa, leva 48h até ficar pronta. O molho de tomate é fresco e as combinações saborosas. Entre as Barcarolas (o termo refere-se à canção de gondoleiros venezianos, por isso o formato comprido e achatado lembra uma gôndola): Margherita 847 ( mozzarella tradicional e de búfala, tomate, pesto de manjericão e tapenade de azeitonas) e Pancetta (mozzarella, fatias de bacon artesanal, parmesão e cogumelo paris). Nas redondas tradicionais sugestões, igualmente boas, são: Brie all'albicocca (mozzarella, Brie, coulis de damasco e nozes tostadas) e 847 (mozzarella, camarão G, creme de alho poró e azeitonas pretas). Empreitada de sucesso, gostei demais da 847 Forneria do casal Oséas Tomasi (pizzaiolo formado pela Scuola Italiana Pizzaioli) e Chris Carpes. Panni Na charmosa casa comandada pelo Juliano e a Jéssica, é possível provar opções de brunch durante o dia todo, além de clássicos de padaria e sobremesas. Entre os ovos, deliciosos Beneditinos (brioche, ovo pochê, presunto Parma, molho hollandaise e microgreens) e Shakshuka, prato bastante conhecido na cozinha judaica (panelinha com molho de tomate rústico, ovo com gema mole, coalhada e pão). Sanduíche de dar água na boca é o Grilled Cheese (mix de queijos grelhados e cebola caramelizada com toque de tomilho). Enfim, o capítulo das sobremesas da Panni é desafio à parte: apaixonante Tarte aux Pommes (torta de maçã), Pain Perdu (brioche , buttercream de chocolate meio amargo e caramelo toffee) e Canelé de Bordeaux (bolinhos com formato especial, miolo cremoso que leva bebida e crosta caramelizada, que eu amo e são uma raridade encontrar). Amábile Café O nome Amábile, que também remete a amável, adorável, carinhoso é, na verdade, uma homenagem das irmãs Aline e Amanda Barbacovi à avó, Olga Amábile. Dessa forma, algumas receitas encontradas na doceria são da dona Olga, como a Esfregolá feita com figo (ou outra fruta) e farofa de cuca e o Bolo de Fubá com Goiabada. Aliás, quase todas as receitas servidas no café saíram de cadernos de avós e bisas. Para completar, o ambiente do Amábile Café é acolhedor, decorado com cantinhos diferentes, convida para ficar. Café Le Bari Os cafés especiais servidos no Le Bari são da Baden Torrefação, idealizadora do Festival Cafés Especiais POA em Porto Alegre. Charmosa e aconchegante, a cafeteria oferece além do espresso e métodos tradicionais, opções de drinks quentes e frios com café. Entre as pedidas para comer: Sanduíches feitos com Bagel e o Gratinado (fatia de pão rústico, coberta com mussarela de búfala, presunto parma, manjericão e um toque de azeite de oliva). Finalizando a comilança então, um Palito Mil Folhas (massa folhada com recheio de creme inglês). Onde se Hospedar em Canela Blumen Hotel Boutique A vida é feita de detalhes! Por isso, pra mim, o luxo na hotelaria atual, além, obviamente da qualidade da hospedagem, é a capacidade de conhecer o hóspede e emocionar. É preciso sensibilidade, tato, empatia, humanidade. E, nada disso cabe num manual de hotelaria, com lista de procedimentos e padrões obrigatórios . É necessária a habilidade de pensar no outro, importar-se, ser capaz de dizer por gestos e atitudes, que acolher faz parte da diária. Café da manhã impecável, inclusive nos talheres e louças, que chegam à mesa junto com um guardanapo de tecido branco estampado com uma frase, para começar bem o dia. Boas mensagens é que não faltam durante toda a hospedagem, podem chegar, inclusive, com chá e biscoitos de boa noite, que te esperam no quarto depois de uma dia cheio de atividades. Equipe Blumen , quanta delicadeza! Monã Vivência Pensei como começar a descrever a experiência única que tive hospedado na Monã Vivência – propriedade rural de base ecológica que, muito além da hospedagem confortável, oferece hospitalidade, vivências, natureza, gastronomia e cultura. Resolvi compartilhar com vocês então, três palavras que me vieram à mente: Vivência, Convivência e Conexão. Bem como, uma reflexão a respeito delas. Vivência: aquilo que se experimentou vivendo. Convivência: vida em comum, contato diário ou frequente, intimidade, familiaridade. Quanto à conexão afirmo: Hoje estamos totalmente desconectados! Então, agora te convido a acessar a matéria completa que escrevi sobre a Monã Vivência. Lugares para visitar em Canela Empório Canela Essa casinha vermelha tem história pra contar. Logo na vitrine, pelas informações impressas na janela de vidro, você já percebe, algo diferente está por vir. Antiquário, Livraria, Discos de Vinil, Artesanato, Sanduíches, Cervejas Especiais, Massas, Risotos, Sopas, Filés, Sobremesas. “Como é que um negócio pode ser e ter isso tudo?” - então, você me pergunta. Pois eu te respondo, é tudo isso e muito mais. A soma de todas essas coisas funciona perfeitamente. A sensação de quem entra é chegar num lugar acolhedor, na casa de alguém conhecido. As peças de antiquário se misturam com o artesanato de artistas da região. Um móvel antigo, tipo farmácia, abriga livros, da mesma forma que, prateleiras de linhas retas construídas por uma marceneiro da atualidade. E esses livros podem ser lançamento ou de sebo. Enfim, passado e presente convivem em perfeita harmonia. Discos de vinil antigos podem ser colocados pra tocar na vitrola (isso mesmo, vitrola!), enquanto se bebe cervejas moderninhas de diversos produtores. O menu da chef Roberta Reck é eclético como o Empório Canela , pois necessita atender todas as horas do dia. Assim, ninguém precisa escolher a hora de comer um lanche, almoçar ou jantar, tudo pode ser preparado o dia todo. Uma boa opção, também para quem está procurando onde comer em Canela. Mãos do Mundo A Mãos do Mundo tornou-se referência nacional em importação e venda direta ao consumidor de peças de artesanato provenientes do Sudeste Asiático. Nos mais de 20 anos, foram centenas de containers que chegaram importados pelo escritório de compras e pesquisa de produtos, baseado na Indonésia. Por isso, a fachada do Galpão Mãos do Mundo, foi construída com containers. No Galpão é possível encontrar as peças maiores, algumas imensas, de mobiliário e decoração. Na loja, que fica a alguns passos, na esquina do outro lado da rua, estão as peças decorativas menores e a linha de presentes. Rosa Ferro Atelier A história da Rosa Ferro Atelier começa nos anos 70, quando os pais de Alexandra e Felipe (artesão conhecido como Neguinho Neto), vendiam peças entalhadas e mobiliário em madeira. Na época, os móveis de Canela e Gramado fabricados em imbuia, eram muito conhecidos e consumidos pelos que frequentavam a região. Hoje, a imbuia é uma madeira rara. Felipe comanda a marcenaria, que funciona no mesmo imóvel da loja e produz obras delicadas e cheias de personalidade, como os famosos corações, as casinhas coloridas e pequenos móveis e objetos; que dividem as prateleiras com a seleção de peças de outros artesãos, feita por sua irmã Alexandra, que gerencia a loja. Visitar é encantamento puro! Feito por Nós Loja de presentes e decoração, a Feito por Nós , apresenta objetos garimpados com muito estilo e personalidade. Peças nacionais e importadas como: louças, vasos, almofadas, luminárias, cestaria; enfim, quanto mais andar pela loja, mais produtos interessantes você encontrará, desejando levar tudo pra casa. Outro ponto de destaque é a decoração de datas comemorativas. No Natal e Páscoa, por exemplo, há uma cuidadosa seleção de objetos, capazes de encantar adultos e crianças. Banca da Matriz Miniatura de mercado público, a Banca da Matriz , desde 1952, fica exatamente onde o nome sugere, ao lado da catedral de pedra, Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes. Parque temático para quem, como eu, gosta de comer e beber; oferece grãos, farinhas e temperos à granel. Bem como, conservas, azeites, vinhos, embutidos, queijos, pães, massas; enfim, tudo o que você precisa pra fazer um almoço, jantar ou piquenique diferente. Se der fome, essa é mais uma das dicas de onde comer em Canela, pois tem área pra petiscar, comer sanduíches, pastéis e outras comidinhas mais. Verde Verso A história da Verde Verso começou em 2016, com Danilo Dupin e Renan Strassburg, plantando uma pequena horta no interior da cidade de Canela. Naquela época, a ideia era produzir hortaliças de forma orgânica para consumo próprio. Porém, quando a colheita começou, os amigos se interessaram e, logo a seguir, os amigos dos amigos. Em 2018 nasce a Verde Verso , serviço de entrega de alimentos orgânicos e locais e, agora também loja física. Assumindo o papel de ponte entre agricultores ecológicos regionais e o consumidor consciente. Verde Verso, surge da vontade de enaltecer a versão verde da vida, mais próxima da natureza e do consumo consciente. Na loja física, além da feira completa, oferecem produtos orgânicos e naturais, como a Kombucha Tao servida direto nas torneiras; os Picolés de Frutas Nativas do Rio Grande do Sul, produzidas em sistema agroflorestal e a linha de limpeza pra casa da Positiv.a . Castelinho Caracol Era uma vez um Castelinho, que se chamava Caracol, foi construído no início do século XX para servir de residência para a Família Franzen. Sr. Pedro Carlos Franzen e Sra. Luiza Sommer Franzen construíram sua bela casa em madeira araucária com um sistema de encaixes e parafusos, sem o uso de nenhum prego. Devido a sua torre, onde se tem uma vista do entorno, a residência passou a ser conhecida como Castelinho Caracol . Em dois pavimentos, seus cômodos estão ambientados com móveis e utensílios do casal e de seus filhos. A residência foi habitada até 1980 e, em 1985, o Castelinho Caracol foi transformado em Museu e Casa de Chá . Desde então, as tradicionais receitas de Apfelstrudel e o Waffel, são preparadas no fogão à lenha original e servidas nas duas salas de chá, ou seja, essa visita, além de cultural, também se inclui na lista de sugestões de onde comer em Canela. P.S. Voltarei mais vezes! Então, se tiver dicas de Onde Comer em Canela, ou Onde se Hospedar em Canela, ou lugares para visitar, coloque nos comentários. A cada visita acrescentarei novidades nessa matéria.
- Nonno Mio
Sempre que vou a Gramado o Nonno Mio é parada certa para almoço ou jantar. E não é só pela boa comida italiana, feita de forma artesanal com ingredientes de verdade, mas também pela recepção de um gaúcho gente boa, que virou amigo, Felipe Andreis. 40 anos de Nonno Mio – Senta que lá vem história Então, tudo começou com o Fernando, que o Felipe chama de avô, mas que, tecnicamente não é seu avô, aquelas familiaridades que todo mundo bem conhece. Afinal, quantos primos que não são primos, tias que não são tias, colecionamos ao longo da vida? Pois é. O Fernando gostava de fazer e preparava muito bem galeto para os amigos. Aprendeu pegando dicas na tradicional Galeteria Alvorada , que existe até hoje em Caxias do Sul. Era frequentador assíduo do local. E lá vieram os amigos dizendo que cozinhava tão bem que deveria abrir um restaurante. Fernado abriu, não só um, mas três, em Gramado, Porto Alegre e São Leopoldo. Surgia o Nonno Mio em 1982. Acontece que ele descobriu que adorava cozinhar para os amigos, mas detestava ter restaurante. E então, disse aos filhos que se não quisessem tocar o negócio fecharia todas as casas. Tio Pedro Enfim, Fernando deu um restaurante pra cada filho e o Nonno Mio de Gramado ficou com a Tia Lei (Marilei Carbelon Andreis), esposa do tio Pedro. Vejam só como são as coisas, de tanto ouvir o Felipe falar tio Pedro, para esse que vos escreve, ele já é, igualmente, tio Pedro. Continuando a história, tio Pedro assumiu o Nonno Mio, que na época funcionava apenas como rodízio de galeto al primo canto e foi imprimindo a sua marca de um apaixonado pela cozinha. As casas de Porto Alegre e São Leopoldo fecharam, mas o Nonno Mio de Gramado continuou firme contando a história do fundador Fernando. Tio Pedro chamou seu irmão Mário, pai de Felipe, para tocarem juntos o negócio, que sempre foi um sucesso, tanto pela comida, quanto pela recepção calorosa que os irmãos proporcionavam aos clientes. Clientes que, ao longo dos anos, se transfomaram em amigos. Enfim, a amizade estava no DNA do Nonno Mio desde a fundação. Felipe aos doze, treze anos já dava expediente no restaurante, ajudando o tio e o pai, no caixa e onde mais fosse preciso. Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança Até 2005 o Nonno Mio era sobretudo uma galeteria. Mas, em virtude da entrada nesse ano na Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança começaram a criar pratos à la carte. Para quem não conhece, a Boa Lembrança é formada por um grupo de restaurantes selecionados, que a cada ano preparam uma receita especial diferente. Ao visitar o restaurante e pedir o Prato da Boa Lembrança, o cliente leva de presente uma peça exclusiva em cerâmica feita à mão, como uma lembrança de uma deliciosa refeição. Taverna Del Nonno Posteriormente à introdução dos pratos à la carte por causa da Boa Lembrança e atendendo a pedidos de clientes que começaram a pedir outras opções, surgiu ao lado do Nonno Mio, com menu internacional, cozinhas e entradas separadas, a Taverna Del Nonno. Dessa forma, quem quisesse o galeto iria no Nonno Mio e quem desejasse provar os pratos da Boa Lembrança e os demais à la carte poderia frequentar a Taverna Del Nonno. Acontece que, o que se planeja e o que acontece são duas coisas muitas vezes diferentes, porque existe um fator chamado: cliente. Por exemplo, chegava uma mesa de dez pessoas no Nonno Mio, oito queriam o rodízio de galeto, mas duas desejavam os pratos à la carte da Taverna Del Nonno. Qual o problema? Pertenciam aos mesmos donos e era um ao lado do outro, não é verdade? Então, dá pra imaginar que os pratos das duas casas, até pelas características peculiares de cada uma, vindos de cozinhas diferentes, não saíam ao mesmo tempo. Ou seja, os rodízios de galeto começavam a ser servidos, antes dos pratos à la carte chegarem na tal mesa de dez pessoas. 2013 – Ano de Transformações Da mesma forma que promoveram mudanças para montarem duas cozinhas e dois restaurantes diferentes, um ao lado do outro, os irmãos Pedro e Mário Andreis, decidiram unificar as casas. Promoveram uma reforma deixando apenas uma cozinha e um restaurante. Mantiveram o Nonno Mio, agora com menu que contemplava não só o rodízio de galeto, como também os pratos à la carte. Melhoraram muito a experiência dos clientes, que poderiam num só lugar optar por pratos diferentes. Inclusive, a mesa toda seria atendida ao mesmo tempo. Outra decisão foi, a partir do novo menu, oferecer também os galetos empratados. Não seria mais preciso pedí-los apenas no rodízio. Uma demanda dos clientes por refeições mais leves. Na esteira das mudanças, Felipe Andreis, terceira e atual geração da família a administrar o restaurante, assume o Nonno Mio de Gramado, ao lado do tio Pedro e do pai Mário, que a essas alturas já pensavam em se aposentar, mas queriam fazer uma transição tranquila. Tanto que Pedro saiu em 2015 e Mário apenas em 2017. Tio Pedro e Felipe Andreis na horta do Casarão do Nonno. Felipe Andreis A partir de 2017 Felipe começou a administrar o restaurante sozinho, porém desde a sua chegada foram muitas as transformações. A começar pela unificação dos restaurantes, cozinhas e cardápios. Norteando seus pensamentos sempre esteve a preocupação com a autenticidade e a regionalidade. Por exemplo, para ilustrar um dos seus desafios, com a cozinha internacional criada pela Taverna Del Nonno, um dos itens do cardápio era Salmão com molho de Camarões. Prato que, num primeiro momento, permaneceu na unificação do menu com o Nonno Mio. Claro que os clientes gostavam, mas para ele não fazia qualquer sentido manter na carta um prato com dois ingredientes que viajavam congelados de longas distâncias e nada tinham a ver com a cozinha italiana da Serra Gaúcha. Vieram novos pratos à la carte, outros se foram. Chegaram os galetos empratados, além do rodízio, mas a essência do restaurante foi preservada. Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul Hoje, completados 40 anos de Nonno Mio, Felipe já sabe que o restaurante se consagrou como autêntico italiano da Serra Gaúcha. “São as nonnas cozinhando, as massas feitas na casa, o galetinho, a polentinha, a maionese, tudo feito aqui. A mesa farta, isso tudo tem a ver com o italiano da Serra” - me diz ele. Em 2021, a cozinha colonial italiana tornou-se pelo Projeto de Lei 421/2021 aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, patrimônio histórico e cultural gaúcho. Essa cozinha autêntica italiana da Serra Gaúcha é aquela que os imigrantes desenvolveram quando chegaram misturando o conhecimento trazido na bagagem com os ingredientes encontrados no local. É algo singular, que não se encontra na Itália. A Cozinha do Nonno Mio O cuidado com os ingredientes e a procedência de cada alimento sempre foi uma preocupação da família. Hoje boa parte das saladas, ervas e temperos são plantados e colhidos por eles. Bem como as massas artesanais e pães, servidos no restaurante saem da cozinha instalada no Casarão do Nonno, que fica em outro local. Por lá tio Pedro ainda dá expediente. Mário, pai de Felipe, infelizmente os deixou durante a pandemia de Covid. Os capeletti, que chegam quentinhos servidos no brodo desde o início, continuam sendo fechados à mão um a um. O bacon e outros embutidos, igualmente são produzidos no Casarão. Enfim, os insumos que não vêm da produção familiar são adquiridos de produtores locais, de outras famílias comprometidas com a qualidade. Galeto al Primo Canto Antes de mais nada, o Nonno Mio ficou famoso pelo seu Galeto al primo canto – rodízio farto que, além do galeto, serve pão artesanal e azeite temperado Nonno, sopa de capeletti, polenta brustolada, salada de maionese (sem ovos, receita criada pela família), salada de radicci com bacon artesanal (eles fazem o próprio bacon da criação de porcos). No capítulo das massas: Espaguete ou tortéi com os molhos à escolha: sugo, molho da casa, bolonhesa, alho e óleo, quatro queijos, manteiga, ao pesto. Bem como, macarrão à capo du mont, nhoque aos quatro queijos, tortelini de goiabada ao molho de gorgonzola e lasanha à bolonhesa. Enfim, para a sobremesa é possível escolher entre Pudim e Sagu com creme. À la carte A casa oferece uma variedade de pratos à la carte: carpaccio, salada a caçador (folhas verdes e coelho), polenta a la brace (feita na brasa) servida com pesto, massas diversas, filé à parmegiana, paleta de cordeiro, risotos. E, para aproximar o restaurante da cozinha autêntica da Itália, Felipe começou a investir em pratos feitos com massa de grano duro. “O Linguine Cacio e Pepe que a gente tá fazendo agora é exatamente isso, uma massa grano duro. A gente tá escrevendo no cardápio, não é uma massa que a gente faz aqui, é uma grano duro específica pra eu fazer o Cacio e Pepe” - conta Felipe. Já o Espaguete Carbonara com bacon artesanal, gema de ovo e pecorino é uma homenagem ao seu pai. Há opções sem glúten, sem lactose e vegetariana. Cabe destacar que um dos principais motivos para que as massas e pães fossem produzidos no Casarão do Nonno e não mais no restaurante, foi por causa da intolerância de várias pessoas ao glúten. “Assim, pelo menos, não temos farinha no ar” - me disse ele. E hoje, isso é um grande diferencial pensando nos inúmeros restaurantes das redondezas. P.S. 1 - não deixe de pedir a Carta de Vinhos, o Felipe é apaixonado por vinho e oferece sempre uma seleção bacana em sua adega. P.S.2 - Foi lançado um livro comemorativo dos 40 anos do Nonno Mio. Acesse o site do restaurante . + matérias sobre Viagem Gourmet . Fotos: Paula Vinhas
- Dicas de Mendoza
Mendoza é um estado de espírito, acredito que algumas cidades do mundo possuem essa característica particular. Assim, como não dá pra viajar a Paris sem permitir que o brilho dourado das luzes nos enleve; é impossível viajar a Mendoza sem aceitar que o tilintar das taças de vinho nos conduzam. Imperdíveis essas Dicas de Mendoza! A província argentina é uma das maiores regiões vinícolas do mundo. Com mais de 1.500 vinhas espalhadas ao longo das três principais áreas produtoras - Luján de Cuyo, Valle de Uco e Maipú. Então, por aí dá pra entender porque o vinho faz parte do estilo de vida dos mendocinos e viajantes. Ninguém tem pressa quando saca uma rolha ou gira uma screw cap. Aliás, a pressa é inimiga desse líquido fermentado a partir das uvas. O bom vinho respeita o tempo das coisas. Por isso, a maioria das pessoas entende que é preciso uma pausa, um respiro para devida apreciação. O decanter existe, inclusive, para permitir que vinhos e seres humanos se abram. As conversas podem ser macias, redondas e leves ou, pelo contrário, profundas, tânicas e complexas. Acontecer entre amigos cultivados ao longo de uma vida ou então com pessoas “íntimas” que nunca se viram antes. Cores sedutoras, bouquet floral ou frutado intenso, talvez conduzam casais por noites de degustação mútua. Enfim, o estado de espírito não é apenas o vinho em si mas, principalmente, o desenrolar da bebida. Dicas de Mendoza - Riccitelli Wines Dicas de Mendoza Claro que nem só de vinhos vive Mendoza. Para os apaixonados por montanhas lá estão os Andes, prontos para entreter. Na cidade arborizada, repleta de praças e vidas acontecendo lá fora, é possível caminhar e igualmente relaxar apreciando a paisagem à sua volta. O parque General San Martín, por exemplo, é uma extensa área verde para atividades ao ar livre. Possui lagos, chafarizes, parques infantis, área de piquenique e claro, estamos na Argentina, espaço para churrasco. Há igualmente, zoológico, Museu de Ciências Naturais e Antropológicas, o Estádio Provincial Malvinas Argentina e a Universidade Nacional de Cuyo – tudo dentro do parque. No domingo visitei uma feira com muitos artesãos e produtores locais. Meu Airbnb, na calle Martín Zapata, foi perfeito, rua tranquila o suficiente e apenas a duas quadras da Avenida Arístides Villanueva, onde o agito acontece em bares, cafés e restaurantes espalhados de ponta a ponta. #ficaadica Sarmiento e Belgrano são outras duas avenidas a se percorrer quando o assunto é restaurante. Nessa viagem, espero fazer outras para lá, não foquei em restaurantes e bares do Centro de Mendoza, mas tem muita sugestão boa a seguir, que merece a visita. Importante O clima de Mendoza é desértico, mesmo que você não perceba terá que cuidar de beber muita água, bem como de proteger nariz, olhos, pele e cabelos com hidratação. Então, entre as principais Dicas de Mendoza na mala leve hidratante potente para corpo e rosto, soro para o nariz, colírio lubrificante e protetor labial. Dicas de Mendoza - Paloma Bakery Comidinhas Paloma Bakery O lugar que mais amei frequentar foi a Paloma Bakery (Arístides Villanueva 641). Bati ponto mesmo, o pessoal já até me conhecia. Um jardim super agradável pra pegar o sol da manhã. Café bem tirado, deliciosa medialuna, scone de queijo, alfajor, além de doces (bolo de cenoura com cream cheese) e sanduíches especiais. Pra melhorar, a simpatia da Ana, que estava estudando português; bem como a do Marcelo, que finalizava as medialunas com tanto cuidado que me fez ter vontade de comer várias; além de muita gente jovem empenhada em atender bem. Dezato Postrería Confeitaria mais ao estilo da pâtisserie francesa, a Dezato Postrería oferece doces bem apresentados como: Caramel Apple – mousse de caramelo com compota de maçã e biscoito crocante. Bubble - Mousse de doce de leite recheada de ganache de chocolate. Intreccio – mousse de frutas vermelhas e ganache de chocolate branco. Harry´s O que gostei do Harry´s foi a vitrine recheada de empanadas diversas recém assadas e suculentas, convidando para comer num final de tarde. Só pegar, pagar e sair andando. Chacras de Coria Antes de mais nada, essa é daquelas Dicas de Mendoza imperdíveis, visite esse pequeno distrito do departamento Luján de Cuyo, que fica apenas a 13km da capital Mendoza. É um lugarzinho com estabelecimentos cheios de charme, que são descobertos durante uma caminhada despretensiosa. O Teatro Leonardo Favio apresenta projetos artísticos comunitários. A arte começa na parte exterior com amplas pinturas de motivos circenses pelas paredes. Mais, escondidinho o Teatro Plaza Paradiso, atrai pelos seus projetores de cinema antigos colocados na área exterior. É possível apreciá-lo na Plaza Paradiso tomando um saboroso sorvete de doce de leite do Helados Michel . Uma feirinha de antiguidades, novos artistas e produtores artesanais é opção de passeio no domingo. Esta região, igualmente, concentra algumas bodegas abertas ao turismo e uma importante quantidade de museus e locais históricos. Além de ser um polo gastronômico. Dicas de Mendoza - Chapas de Coria Chapas de Coria Falando em lugarzinhos escondidos, esse é um achado, cheio de charme com cenário único na calle Mitre em Chacras de Coria. Num fundo de quintal, fumaça. Atravessando a rua, pequena placa indica comida num lugar com chapas metálicas e ferro, que parece uma oficina. Mais um pouco, caminhando sobre pedregulhos, aparecem mesas e cadeiras rústicas em ferro e madeira. O conjunto traz um ar despojado e compõe com os demais objetos rústicos, dispostos de maneira displicente, uma atmosfera de bom jeito de viver. O local é obra do artista Juan Estrada Argerich, que montou por lá seu atelier de serigrafia, abrindo também espaço para outros criadores, produtores e produtos, inclusive comestíveis Durante a semana funciona como atelier de serigrafia e aos fins de semana, o multiespaço abre como um restaurante. Vegetais e carnes são assados no quintal num fogão à lenha. Entre as Picadas do restaurante Chapas de Coria (porções para compartilhar) – hommus, queijos, cogumelos, azeitonas e vegetais assados, acompanhados de pão. Dicas de Mendoza - La Gloria Mercado La Gloria Mercado Me apaixonei! Lugar delicioso em Chacras de Coria, descolado, preço justo, bom atendimento. Pra comer lá ou levar pra casa. Gostei tanto que voltei! Você escolhe seu vinho argentino na adega, entre caixas e prateleiras, todos com etiqueta de valores e pode contar com a ajuda do sommelier Marcelo Lopez. Pede uma tábua de embutidos artesanais, são várias opções, fatiados na hora, numa máquina estilosa da Berkel e queijos de pequenos produtores; acompanha pão da casa. Há também lanches caprichados (Los Tostones), feitos com base de focaccia. Entre eles: Jamón serrano, tomate e queijo sardo; bem como, Queijo Stilton, Batatas ao alecrim e pasta de azeitonas. Criações do chef Federico Ziegler. Muitos potes de conservas, produtos de mercado e ainda uma parte de bazar com itens pra casa, completam o estilo desse lugar único que é o La Gloria Mercado (dá uma olhada na foto do restaurante). Dicas de Mendoza Vinícolas para visitar em Mendoza Onde almoçar em Mendoza Riccitelli Wines – Visita e Almoço Sobre uma experiência incrível num cenário pitoresco. Que degustação especial nessa vinícola boutique! Que recepção exclusiva da Veronica Riccitelli e que vinhos únicos os da Riccitelli Wines , obras do grande e irreverente enólogo Matias Riccitelli. Os incomparáveis Bonarda e Sauvignon Blanc não vão para o Brasil, mas muito do portfólio é importado pela Wine Brands . Vale provar o da Casa Tinto e os da linha Kung Fu elaborados em ânforas, forma milenar de preparar vinhos. E quem pensa que vinho só vai pro barril, há tanques de inox, ânforas, ovos de cimento,.... os estudos não param . Ah! E esses rótulos! Geniais. Essa degustação é daquelas Dicas de Mendoza imperdíveis! Choveu na noite anterior, o frio era intenso, a neve congelou os Andes. Durante o dia a neve derreteu e a água que desce dos Andes é fundamental para o abastecimento de toda a região de Mendoza. Almoço A vinícola tem um bistrô comandado pelo chef Juan Ventureyra, que valoriza pratos de base vegetal, com ingredientes da própria horta ou de produtores locais. Pratos com carne igualmente fazem parte do menu mas, a base é vegetal, lembrando que Mendoza é um lugar desértico, sem pastagens e bois. O menu é elaborado a fim de harmonizar com os vinhos ousados produzidos na bodega. Infelizmente eu não almocei por lá, porque tinha outro compromisso, mas está na minha lista da próxima viagem. Enfim, tenho certeza que será um passeio tão instigante ao paladar quanto o provocado pelos vinhos. Bodega Alandes Boa surpresa conhecer a Bodega Alandes do enólogo e empresário Karim Mussi. Karim é um dos principais produtores do Valle de Uco e em 2013 abriu as portas da centenária casa de taipa, na região histórica de Maipú. A adega, por exemplo, é de 1904. Sua intenção ao abrir para visitas a Bodega Alandes, era receber os amigos com rótulos mais exclusivos e edições limitadas, proporcionando aos visitantes uma experiência personalizada. É isso que acontece ainda hoje, a visita e as degustações são exclusivas e limitadas. Muitos dos vinhos só podem ser bebidos lá. Reservar é mais do que necessário. Enfim, o lugar é um charme. Alandes significa algo como “Ao longo dos Andes” e expressa a vontade do enólogo de utilizar uvas de vários parreirais ao longo dos Andes, uma alta gama de vinhas de altitude, sem limitar-se a uma região específica. A atenciosa Julia Catelen conduziu o tour pela bodega e a selecionada degustação: Concrete Tank Red Blend 2021, Paradoux White Blend 2015, Malbec 2020 – Uco, Malbec 2020 – Calchaqui, Paradoux Blend, Cabernet Franc 2020 e El jardin de Los Caprichos No. 07 (Pechando el Elefante) 2018 – são muitos os caprichos desse Pinot Noir inesquecível. Ótima indicação da Karene Vilela (CEO) e José Luiz Ferrazzo Neto (Diretor Comercial) da Portus Cale , que importa para o Brasil alguns vinhos da Bodega Alandes. Salentein – Visita, Almoço e Hospedagem Grandiosa é um bom adjetivo para descrever a bodega Salentein no Valle de Uco. São 800 hectares de vinhedos (cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados ), bem como 11 milhões de litros de vinhos produzidos. Enquanto se caminha pelos vinhedos em direção à bodega, observando os Andes ao fundo, impossível imaginar o que o prédio, aparentemente pequeno, nos revelará. Nove metros abaixo do solo a cava, uma construção monumental que abriga, entre outras coisas, 5 mil barricas de carvalho francês. O espaço foi construído como uma catedral, seu piso de pedra é desenhado com a rosa dos ventos com cada uma das extremidades orientadas para os pontos cardeais. Assim, a acústica é perfeita, tanto que na “catedral do vinho” existe um piano e concertos são realizados de tempos em tempos. Falando em cultura, a bodega fundada pelo holandês Mindert Pon, possui obras de artistas espalhadas por todos os lados. Há, inclusive, uma galeria de arte aberta para visitação. A degustação especial aconteceu numa ampla sala, que parecia fazer parte do subterrâneo de um castelo. A imponente mesa de travertino de mais de duas toneladas esperava a mim e outros convidados com taças prontas para provocar alegria. Pelas paredes, de cima a baixo, garrafas de vinho. A linha Primus Malbec, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Pinot Noir contém os vinhos ícones da vinícola. Restaurante É preciso fazer reservas no restaurante para provar o menu de quatro tempos harmonizado com vinhos da Salentein. Pra começar um saboroso Biscoito de Queijo defumado em cinzas de cebola, coberto com telha de pimentões, harmonizado com Espumante Blanc de Blancs Brut Nature. Entre as cinco entradas, escolhi, sem arrependimento, a caprichada Empanada Cuyana harmonizada com Numina Pinot Noir. No prato principal, um suculento Ojo de Bife, muito bem preparado, que harmonizava com o Primus Cabernet Sauvignon. Por fim, outra grata surpresa, o Vulcão de Doce de Leite feito com massa de amêndoas. Hospedagem Quem quiser aproveitar mais tempo por lá, basta hospedar-se na Pousada Salentein com arquitetura tradicional das fazendas de Mendoza. A pousada conta com restaurante próprio que serve todas as refeições. + Dicas de Mendoza Finca Sophenia Instalada em Gualtallary, distrito do departamento de Tupungato no Valle de Uco, a Finca Sophenia nasceu de uma história de amizade. Sophia e Eugenia sempre foram grandes amigas, desde a infância. Amizade que levou seus pais, igualmente, a se tornarem amigos. Roberto Luka, pai de Eugenia, durante sua carreira no mundo do vinho, foi diretor de grandes bodegas, bem como presidiu a Wines of Argentina, sendo eleito empresário do ano em 2016. Em 1997, quando decidiu comprar sua própria finca (propriedade com vinhedos) em sociedade com o pai de Sophia, batizou-a então de Sophenia – um blend dos nomes das duas amigas. Bodega Apenas em 2002 aconteceu a estréia da bodega (vinícola), que começou então a produzir os vinhos próprios da Sophenia, comercializados a partir de 2004. A companhia exporta 70% dos rótulos para 25 países. Hoje Eugenia Luka, está à frente da bodega junto com seu pai. Na deliciosa visita à Sophenia conduzida pelo Marcelo, fui recebido, pouco antes de percorrer os vinhedos, com um refrescante Altosur Sauvignon Blanc 2021. No começo da visita pela vinícola, ao lado dos tanques de inox, uma taça de Malbec Sophenia State Reserva 2020 me esperava. Partimos então para um intimista bar de vinhos. Os poucos assentos ladeados por uma ampla adega e pilhas de barris de carvalho. Confesso que bebi: Sophenia State Reserva Merlot 2020, Sophenia Synthesis Cabernet Sauvignon 2019 e Sophenia Synthesis The Blend 2018 (Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot - 14 meses em barrica - 40% barrica nova). São todos grandes vinhos, mas meu coração bateu mais forte pelo The Blend 2018. Se você não conhece os rótulos da Sophenia, eles chegam ao Brasil pela World Wine. Obrigado Deco Rossi e Wines of Argentina pela colaboração. Altos Las Hormigas Antes de mais nada, quem conhece a história por trás dos vinhos que bebe, com certeza irá degustá-los de forma diferente. Bem antes da viagem, o projeto Altos Las Hormigas me foi apresentado no Brasil pelo Deco Rossi, embaixador da marca por aqui. Na visita em Mendoza, Estefy Lit (Gerente de Exportação), comandou um atencioso passeio pela propriedade, bem como uma degustação de boa variedade de rótulos. Em 1995, os italianos Alberto Antonini, reconhecido enólogo da Toscana e o empresário Antonio Morescalchi começaram a pesquisar áreas na região dos Andes e decidiram então investir em Mendoza tradicional região vitivinícola Argentina, conhecida pelas grandes altitudes e clima desértico. O objetivo sempre foi criar vinhos que expressassem o terroir, especialmente do Malbec. Foram anos de estudos e tentativas, encontraram parceria perfeita com o engenheiro agrônomo PHD em terroir Pedro Parra. Mapeamento Parra mapeou (mapeou mesmo! Eu vi os desenhos e mapas) com precisão cada pequena parte da propriedade, dividindo-a em lotes com características específicas de solo. Da mesma forma levaram em conta toda a natureza vegetal e animal em seu entorno. As formigas foram um desafio tão grande, por sua agressividade contra as videiras, que eles resolveram batizar a bodega como Altos Las Hormigas. A partir de todo esse trabalho, os vinhedos se inseriram na paisagem e não o contrário. Então, os vinhos ganharam a certificação de orgânicos, respeitando também os ciclos lunares e ferramentas científicas combinadas a intuição e experiência dos profissionais envolvidos. Muitos tanques são de cimento, como nos primeiros tempos, alguns ficam sob a terra. O foco é a fruta, por isso não usam barril, no máximo utilizam Foudres ( grandes barris) que não foram tostados por dentro no sistema de produção. A importação é feita pela World Wine . Norton – Visita e Almoço Nessa viagem tive a oportunidade de aprender muitas coisas sobre vinhos, a mais importante foi: o vinho na taça é resultado direto da qualidade das uvas no solo. Dessa forma, o engenheiro agrônomo e o enólogo precisam trabalhar afinados. Na Bodega Norton , minha visita começou pelos vinhedos, acompanhado pelo engenheiro agrônomo, Clodomiro Graffigna. Um grande aprendizado ouvir o especialista falar sobre as características do terroir e inclusive, ter a possibilidade de entrar num buraco para visualizar as partes que compõe o solo. Em seguida, grande aula com o enólogo Hernan Scarel, caminhando pela produção, adega e, enfim provando vinhos numa degustação exclusiva. Destaque para a linha Perdriel que expressa o terroir da região e Gernot Langes, em homenagem ao fundador da Bodega Norton, mais conhecido por sua empresa de cristais Swarovski. Almoço Antes da visita, menu de três tempos harmonizado do chef Santiago Maestre. Destaque para o macio Brasato (carne cozida no vinho) com cobertura de massa assada, leve e crocante, temperada com parmesão e ervas frescas. Obrigado Laura Serra (Gerente de Turismo e Hospitalidade) pela atenção dos profissionais na Bodega Norton. Wine Brands importadora por me ajudar com a organização da visita. Bodega Lagarde – Visita e Almoço Fundada em 1897, a Bodega Lagarde foi adquirida em 1969 pela família Pescarmona, e hoje é liderada pelas irmãs Sofía e Lucila Pescarmona, terceira geração, além do enólogo Juan Roby. A filosofia da empresa, que foca numa gestão sustentável, respeito às pessoas, comunidade e meio ambiente é “Lograr la excelencia cosecha tras cosecha” . Ou seja, conquistar a excelência a cada colheita. O vinho ícone da Bodega Lagarde é o Henry Gran Guarda nº 1, produzido a partir de 1990 com uvas selecionadas e longo tempo de maceração. Envelhecido por dois anos em tonéis novos de carvalho francês e então mais um ano de espera na garrafa até sair pro mercado. O potente, aromático e complexo 2018 que provei leva 56% Malbec (Gualtallary) , 12,5% Cabernet Sauvignon (Gualtallary) e 31,5% Cabernet Sauvignon (Perdriel, Luján de Cuyo). Almoço Num casarão do século XIX com ambiente elegante e igualmente descontraído, encontra-se o restaurante Fogón "cocina de viñedo". Menu de 7 tempos harmonizado com vinhos Beterraba em várias texturas, inclusive sorvete + homus de ervilha. Cavatelli, abóbora, crocante de queijo, azeite com ervas. Pato defumado com couve de Bruxelas, abóbora, erva doce. Mignon na parilla, azeite de alho, sal e alecrim, cogumelos, alho poró e creme de cítricos. Sorvete cítrico com salsão. Torta de maçã com mascarpone - sorvete de Caramelo Salgado. Café e macaron. Enfim, os Vinhos Guarda Chardonnay 2021 Cabernet Sauvignon 2004 Primeras Viñas Malbec Luján 2019 Henry Gran Guarda nº 1 - 2018 Espumante Blanc de Noir Millésime 2017 Gostou dessas Dicas de Mendoza e quer outras dicas de Viagem Gourmet ? Então acesse . Bem como para mais dicas de Restaurantes e Cafés, Docerias e Outras Delícias . Agradecimento Château de Jane .
- Chá Mate da Esperança
Acredito que o que todos nós queremos é ter esperança. Ela é o alimento dos nossos projetos, sonhos, desejos. Renova nossos ânimos e energias para continuarmos lutando nas batalhas da vida. E não desejamos apenas a esperança que repousa na espera, uma esperança inerte. Claro que existe o tempo das coisas. Mas queremos a esperança do verbo esperançar, que é se animar, se levantar, ir atrás, construir e não desistir. Quando fiz esse pedido para a Carla Saueressig , primeira sommelier de chás do Brasil, para o nosso Natal e Ano Novo Solidário Quebrada Alimentada (leia + abaixo e, por favor, doe para dar esperança a tanta gente que passa fome), tinha certeza que ela ia propor uma pausa, um respiro. O que precisamos, na maioria das vezes, é silenciar os barulhos que impedem que a gente se ouça. Nada melhor que um Chá Mate da Esperança! Assim, enquanto pausamos o mundo, selecionando ingredientes, aquecendo água, infusionando misturas e enfim, sorvendo em goles o líquido que nos invade, abraçando-nos; nesse tempo de espera podemos nos esperançar. Chá Mate da Esperança Ingredientes 30 g de erva-mate pura folha 20 g de canela + cravos-da-Índia + cardamomo + anis estrelado na proporção que você quiser. Observações Antes de mais nada, vamos combinar: se você gosta mais de canela, vai usar mais canela nestas 20g. Da mesma forma, se quiser mais cardamomo, fique à vontade. Pode fazer só com canela, só com cardamomo, só com cravos-da-Índia? Pode. Você pode tudo - é o seu Mate da Esperança! Então, se quiser, acrescente nessa mistura também gengibre, cascas de laranja, cascas de limão. Proporção O importante é que 30g sejam de erva-mate e 20g de especiarias. Depois é só fazer a infusão por 5 minutos em água recém fervida. Com 12g fazemos um litro de Chá Mate Esperança. Ou seja, essa mistura dá para 4 litros. Pode fazer gelado, quente, fica uma delícia com panetone, com a ceia, com a sobremesa. Sobre o Natal e Ano Novo Solidário Quebrada Alimentada Quebrada Alimentada é um projeto premiado de combate à fome, organizado pelo restaurante Mocotó e comandado pelo casal Rodrigo Oliveira (Mocotó) e Adriana Salay. Desde o início da pandemia, já distribuiu para famílias em vulnerabilidade, mais de 100 mil refeições e 70 toneladas em cestas básicas e cestas de vegetais orgânicos de agricultura familiar. Então, para que esse projeto lindo alimente muitas pessoas nesse Final de Ano, decidi criar aqui no Cuecas na Cozinha um Natal e Ano Novo Solidário. Todos os dias teremos receitas especiais, bem como dicas para que cada um que passe por aqui possa aproveitar em suas Festas de Final de Ano. Convidei muitas pessoas queridas: chefs, jornalistas, influenciadoras e influenciadores, que toparam o meu convite, colaborando com uma receita para essa festa solidária e, igualmente, fazendo uma doação para o projeto. Te convidamos, dessa forma a participar dessa corrente do bem! Doar é muito fácil! A partir de R$5 você já faz diferença na vida de uma família. Basta acessar o site Solidariedade Gaia Mais Quebrada Alimentada e realizar esse gesto de amor. Muito obrigado Um lindo Natal e um Ano Novo recheado de coisas boas! Atenção Todas essas receitas do Natal Solidário você encontra no Cozinha Solidária Veja igualmente Entradas/Petiscos e Saladas Arroz/ Grãos Carnes Peixes e Frutos do Mar Sobremesas











